19 de set de 2012

Garota mistério

E lá estava ela. Um metro e meio, bem magra. Cabelos claros e dreads espessos presos por um elástico velho. Saia jeans gasta e cheia de tachinhas douradas, sandália Havaianas amarelas e uma camiseta azul bem simples. Sorriso lindo.

Óculos escuros com aro azul. Bolsa também azul bem escuro com símbolo do Rolling Stones na frente, um boton representando Hendrix e outro ACDC. Percing dourado no septo e outra argolinha na nariz. Pulseira representando o reggae no pulso esquerdo e fazia de tornozeleira uma pulseirinha amarelada e incrivelmente gasta do Senhor do Bonfim. Uma pinta a lá Monroe. Falava ao telefone com sua voz rouca incrivelmente sensual. Gosta de video game, faz faculdade, era do interior e acredita que as pessoas de lá são incrivelmente mais amigas, ou brothers como a mesma disse. 


Poucas são as pessoas em São Paulo que valha a pena sentar numa mesa de bar e tomar uma cerveja. Sente vergonha de piscina. Precisava correr até um bar da cidade para comprar algo, e tinha medo que já tivesse se esgotado. Seus melhores amigos são homens e suporta apenas 3% do pessoal da faculdade, são aqueles poucos que dá pra trocar uma ideia legal


Mensagem recebida, desligou a ligação. As portas do metro se abriram e ela seguiu por entre a multidão que se acotovelava. Seguiu, e eu fiquei lá observando-a. Observei até ela se afastar com seus cabelos claros e dreads bagunçados. Observei-a até encontrar-se com seu brother e caminharem juntos sentido ao centro. Observei-a e senti vontade de deixar de observar, senti vontade de ser aquela pessoa do outro lado da mesa de bar com uma garrafa de cerveja gelada entre nós.