Luísa Mendes

E talvez daqui alguns anos

15:44




E talvez daqui alguns anos eles estejam dentro de um carro no mesmo farol vermelho parados na cidade, talvez eles nem olhem para os lados, nem se reconheçam.Talvez um dia se encontrem no super-mercado ele com a esposa e ela com os filhos, ele vai reconhecer primeiro o sorriso dela naquela pequena menina vindo a frente do carrinho de compras, depois vai olhar e ver seu passado todo em uma só mulher. Eles vão ficar sem jeito, se cumprimentar e perguntar discretamente como estão as coisas. Ela vai chegar em casa, colocar o desenho pros filhos, sentar e pensar em tudo que aconteceu e como faria se pudesse voltar, vai bater uma nostalgia e talvez ela até veja uma ou duas comédias românticas só pra lembrar dele.Ele vai chegar e se sentar no sofá pra assistir o jogo de domingo enquanto sua esposa vai fazer o jantar, ele vai olhar pro lado e lembrar de como era bom ter ela ao lado dele segurando sua mão durante os jogos, vai vibrar em um gol e sentir vontade de ter ela nos braços para comemorar, talvez ele vá dormir mais cedo e fique pensando durante horas nos erros que poderiam ser acertos. Durante três ou quatro dias eles vão ir no mesmo super-mercado, sozinhos, esperando alguma chance de trocar mais que uma dúzia de palavras. Eles não vão se ver, nunca mais vão se ver. E ai vão perceber que foi só um flash back de seu passado e voltar a suas vidas normais. Ou talvez procurem loucamente no bairro alguma informação, talvez frequentem o mesmo super-mercado durante anos, esperando algo. Talvez joguem suas vidas pro alto pra ir atrás do grande amor da vida deles, que é um o outro e retomem toda aquela historia de anos atrás com a certeza que agora vai dar tudo certo e nunca mais se larguem.


Mas agora, nesse presente, sem "talvez", ele está deitado em sua cama com o nariz ainda vermelho depois de chorar ao telefone ouvindo a voz de choro que ela tentava abafar e pensando em todos os "talvez" que poderiam ter sido ou que poderão ser. E ela está chorando e escrevendo algo em algum lugar, que talvez ele leia ou talvez não, só para aliviar e tentar por pra fora tudo aquilo que sente, afinal ela sempre sentiu demais.


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