Tayla Sanchez

Alguém

19:03




Ela levantou da cama, dispensou os chinelos e correu até a cozinha. Pegou um pedaço de pizza velha dentro da geladeira e uma garrafa de Coca Cola que deixaram intacta na noite passada. Sentou no sofá e deliciou-se com sua própria presença. Ligou o rádio e fechou os olhos.

As músicas tocadas traziam lembranças. As vezes divertidas, outras dos momentos de solidão. Divertiu-se com as memórias daqueles sorrisos e também com aquelas lágrimas. Momentos como porque essa música me lembra ele mesmo? E outros de meu Deus, não acredito que fiz isso. Acendeu um cigarro e cantou junto com o rádio. Levantou do sofá, Abriu um espaço entre o monte de copos plásticos e bitucas de cigarro que jaziam pelo chão, encostou-se ali e ligou o vídeo game. Ficara o dia todo. Prezava aqueles momentos onde não importava se passou delineador demais, se o seu baton vermelho era muito forte ou seu salto muito apertado. Ninguém ligava se ela tinha deixado de pentear os cabelos, comido porcarias ou passado o dia todo na frente da TV. Ninguém a julgava pelo tamanho da sua ressaca, pelos seus cílios que acordaram grudados em suas bochechas ou pelo maço de cigarros vazios que acabaram ficando pelo chão.

Ninguém se importava por não haver ninguém ali, com ela. Esperava o tempo passar em baixo do chuveiro, horas. Ouvia as músicas que queria, comia o que queria, andava descaça e só de camiseta. Lia os seus livros antigos, passava tardes assistindo seriados ou jogando vídeo game. Deixava os cabelos molhados escorrer pelas costas e molhar o chão. Tinha a ideia de que um dia, depois da festa, alguém ficasse. Ficasse para organizar toda a bagunça feita dentro e fora dela. Ele ficaria para sentar ao lado dela no chão e para jogar com o player 2. Ela usaria sua camiseta, prenderia os cabelos com um rabo de cavalo e comeria pizza velha deitada ao seu colo. Ele não à julgaria pela cor dos olhos, pelas suas inúmeras tatuagens, pela cor de seus cabelos  ou a quantidade imensa de cigarros que ficaram pelo chão. 

Ele era seu porto seguro, seu perfeito cheio de imperfeições. Ele não concordava com tudo. Se ela seguisse pelo caminho errado, ele estaria lá quando ela voltasse. Se ela se perdesse, ele correria ao seu encontro. Príncipe encantado sem cavalo. Protetor sem armadura. Amor sem ditadura. Aquele que aceitava, dentre tantas outras coisas, que ela presava por liberdade e só precisava de alguém, um motivo, para voltar para casa.


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