10 de dez de 2012

Bagunça


Quando essa montanha russa de nossas vidas decide acelerar e, entre altos e baixos, você implora para descer. São estes momentos que tomamos decisões controversas àquelas que tínhamos quando a maré estava calma.

A pouco tempo, no meio dessa confusão toda, me peguei à organizar-me. Organizei assim, bem devagarzinho, porque tudo que vem rápido demais assusta. Organizei meu armário, encontrei lembranças que guardei no peito, joguei fora todo aquele lixo que estava ali acumulando espaço para coisas novas que estavam por vir.

Organizei minhas músicas e meus livros por ordem alfabética, minhas camisetas por tonalidade, meus perfumes conforme a minha bipolaridade. Encontrei o rascunho daquela carta que escrevi, umas passagens antigas para lugares que viajei, coisas que eu havia escrito e que hoje talvez não faça o menor sentido. Arrumei minha cama, meu quarto, minha vida. Comecei uma nova dieta sem sentido, hidratei o cabelo, inovei na maquiagem. 

Limpei meu coração de tudo aquilo que me fazia mal, deixei pessoas irem embora e não implorei mais para que ficassem. Respirei fundo e me concentrei em tudo aquilo que me fazia sentir bem, o barulho da chuva batendo sobre minha janela, meu cachorro correndo ao meu encontro, banho gelado no verão.

Me organizei por necessidade, mas uma necessidade apenas minha. Deixei um pouco de pensar em nós e me organizar, de verdade, para quando você estiver pronto para vir. Porque um amor puro pode estragar no meio de um coração cheio de vírgulas, reticências, vestígios de pseudo amores antigos. Deixar tudo pronto até você chegar, mas se demorar, vai ficar assim bem arrumadinho pra mim.