9 de dez de 2012

Friday



Sexta feira a noite, ela saiu. Saiu pelo mundo na esperança de poder se encontrar por ai. Sapato apertado, rímel extra, baton vermelho, sorriso lindo. Sorriso este que faz com que quase ninguém perceba a angústia que carrega dentro do peito. Saiu de casa engolindo aquela crise de choro que insistia em aparecer.


Sentou-se numa mesa qualquer, pediu um drink, ascendeu um cigarro e esperou. Esperou a noite toda para ver no mundo real as coisas pudessem ser melhores. Esperou para ver se ali conseguia encontrar alguém por que pudesse finalmente se apaixonar, se encantar. Conheceu pessoas, sorriu, se divertiu. Depois de tanto tempo, entre uma dose e outra, descobriu que finalmente era possível ser feliz. Até que seus pensamentos começam a incomodá-la como de costume. Até que seus pesadelos começam a invadi-lá, um por um. Até que a saudade começou a sufocar tanto a ponto dela precisar sair e sentir o vento no rosto e provar para si mesma que era livre. Até que aquele suspiro se transformou em lágrimas e vontade de quebrar a barreira da distância.


Na manhã seguinte tudo parecia virado ao contrário, dores de cabeça indicavam uma leve ressaca moral que já à vinha perseguindo. Pensou em como poderia desviar de todas aquelas coisas que a angustiavam, em como afastar o medo, como conseguir seguir em frente depois de tanto tempo. Pensou em passar o dia todo na cama por não haver tantos motivos que a obrigassem a sair novamente. Tomou um café forte e suspirou pois nem aquele mundo enorme com todas as suas imperfeições e cheio de defeitos fizeram com que ela conseguisse esquecer. Descobriu que nem todas as doses de tequila do mundo, nem todos os amores de uma noite, nem toda lua cheia solitária.


E tudo que ela mais queria era poder se perder pelo mundo. Não tinha medo de se perder, desde que neste pudesse finalmente reencontrá-lo e pedir para que ele ficasse.