4 de dez de 2012

A chuva




Meu relógio indicava meu atraso. Atrasada para mais uma das minhas ideias malucas de me manter ocupada para te manter distante. Esqueci de escovar os cabelos, perdi um dos meus sapatos e também meu baton vermelho preferido, aquele que joguei fora junto com todas as coisas que me lembravam você, só porque me dizia sempre que eu parecia uma boneca quando o usava, sua boneca.


Corri contra o tempo por ruas movimentadas, a chuva começou a cair sobre meus cabelos compridos e embaraçados. No meio daquela multidão de guarda chuvas coloridos, ele esbarrou em mim. Pediu desculpas e me ofereceu um café. Decidi que ele era insano, recusei e caminhei pela chuva. Já tinha perdido um dos meus compromissos e talvez aquilo pudesse me ajudar de alguma forma. Caminhei até nosso restaurante favorito, pedi um café quente, escrevi seu nome sobre um guardanapo qualquer e mentalmente implorei pelo seu abraço. Droga, como tudo parecida errado quando você estava distante.


Tudo o que desejava era deitar sobre meus lençóis e implorar para que minha mente finalmente me deixasse em paz, livrar meus pensamentos de tudo aquilo que me assombra. Esperar você me ligar e dizer que tudo vai ficar bem, me acalmar do jeito que só você faz. Ouvir você batendo na porta do meu apartamento, dizendo que o maldito destino não tem nada  com isso, que nós escolhemos nosso caminho e que você veio pra ficar. Dormir com o seu abraço, mesmo que na incerteza de que talvez você não esteja lá pela manhã. De qualquer forma, de qualquer jeito, desde que seja sincero, embora incerto e talvez duvidoso.