Tayla Sanchez

Amor platônico

21:07



Esses dias me peguei vivendo de passado. Encontrei uma foto nossa, acredito que tenha sido a única até hoje, e comecei a me lembrar de tudo aquilo que aconteceu há tanto tempo. Há sete anos, ou mais. Como se eu tivesse aberto uma porta esquecida em cima de um guarda roupa qualquer e um turbilhão de lembranças tivesse dominado minha mente. Meu Deus, que confusão.

Sentei sobre a cama, no meio de toda aquela bagunça e memórias. Me lembro como se tivesse acontecido a pouco. Nós dois, sentados naquele mesmo lugar, conversando sobre coisas que nem importavam, tiraram uma foto nossa e nós sorrimos. Acho que aquele deve ter sido um dos nossos últimos encontros antes de tudo virar de cabeça para baixo. Lembrei da primeira vez que te vi, eramos crianças que se titulavam adultos. Um amigo nos apresentou e aquele dia não passou disso. Semanas depois nós voltaríamos a nos encontrar de novo e começaríamos a conversar, como deveria ser. Não sei por quanto tempo esses encontros semanais aconteceram, mas me lembro com tanta saudade.

Quando o mundo, meu mundo, resolveu parar no tempo e girar no sentido contrário você estava lá comigo também, meu amigo. Hoje percebo o quão idiota eu fui naquela época,  ah crianças! Lembro que conversávamos diariamente pela internet até de madrugada, nem essa distância era capaz de nos separar. 

Me peguei lembrando daquela noite, impossível pensar em você sem que isso me apedreje no mesmo instante. Peguei a estrada, parei no nosso ponto de encontro e te esperei. Você apareceu cruzando a esquina, eu corri sem pensar duas vezes e me joguei em seus braços. Você me agarrou pela cintura, me levantou e começou a me girar e me dar vários beijos pelo rosto. Aquele momento eu sorri como nunca. Fomos encontrar nossos amigos, ficamos ali um pouco e você me puxou para dar uma volta. Andamos, a praia de um lado e a lua do outro. Naquele dia brigamos porque eu tinha ciúmes e você achava aquilo fofo. Você parou de caminhar, eu assustei e parei de reclamar, você me puxou e me beijou. Estou tentando entender até agora tudo aquilo que se passou dentro de mim. Como era incrível poder gostar de alguém, sem nenhuma cobrança, sem nenhum mistério, sem medo e com a disposição de correr riscos.

Voltei para casa com um sorriso no rosto. Foi mais ou menos aí que nossos mundos se separaram e correram em direção oposta. Mas eu não me canso de lembrar. Talvez você tenha sido aquele meu amor platônico da adolescência que eu nunca vou conseguir esquecer. Hoje eu penso que você possa ter sido a escolha errada que eu nunca fiz. 


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