amor

Amores errados

18:51





Esqueci meu celular dentro da bolsa no modo silencioso, por horas. Quando dei por mim haviam ligações perdidas e algumas mensagens de texto não tão importantes. Respondi tudo aquilo que importava, ouvi meus recados a caixa postal e me deparei com um número desconhecido que resolvi deixar pra lá. No dia seguinte meu celular começa a vibrar ao lado do meu café amargo, mesmo número desconhecido. Atendi como de costume, perguntou como estava sendo meu dia, se eu sentia saudades e uma jorrada de perguntas e eu respondi, pensando que fosse outra pessoa, que pouco lhe importava isso.  Não tinha reconhecido seu número ou sua voz. 

Você disse que eu não tinha mudado e que nunca iria mudar. Juntei toda a boa educação que me restava quando o assunto era você e perguntei qual o motivo do contato assim tão repentino. Você me disse que precisava conversar e que já tinha colocado as coisas em seus eixos. Não respondi. Pedi para que não ligasse mais. Você insistiu, um café, uma conversa, uma explicação. Me convenci que, mesmo depois de tanto tempo, eu precisava dessa explicação. Disse que iria pensar. Você prometeu que me ligaria no dia seguinte, quisera eu que fosse como nos tempos antigos onde suas promessas não saiam do papel. Ligou, cobrou uma resposta, eu aceitei. Disse que me buscaria para jantar na sexta a noite, eu recusei. Era um café e nada mais. Você insistiu, e muito. Só naquela semana recebi mais mensagens de texto do que quando estávamos juntos.

Não sabia o porque, mas a ansiedade me consumia. Coloquei meu melhor vestido, meu maior salto, usei meu batom mais marcante e prendi o cabelo. Acendi um cigarro enquanto te esperava, você que me incentivara a começar a fumar. Confesso que por um instante comecei a acreditar que ainda havia esperança para nós, mas me conformei em apenas ouvir o que você tinha a dizer e voltar sozinha para casa. Fomos a um restaurante japonês, você deveria saber depois de tanto tempo como eu odiava comida japonesa, chinesa, crua. Você sentou de frente pra mim, disse que eu estava linda e como o tempo me fez bem. Eu apenas sorria e continuava esperando. Você pediu o cardápio e eu um drink de saquê. Começou a me dizer o quanto se arrependia e todas aquelas coisas que já estavam muito bem ensaiadas, coisas que eu já tinha ouvido.

Naquele momento me lembrei de com eu amava o brilho do seu cabelo, seu sorriso, seu olhar, seu cheiro. Amava suas mãos macias percorrendo meu corpo. Adorava me esquentar com você naquele frio de Julho, nas férias da escola. Correr com você pela praia, te beijar entre as ondas do mar. Como eu te amava.

No meio do suspiro de boas lembranças surgiram aquelas que conseguiam me corroer até hoje. Eu definitivamente não estava preparada para o nós, principalmente se este incluir você. Disse tudo que deveria dizer, o quanto te amei e como foi ruim depois de ter me deixado. Falei tudo aquilo que estava preso em minha garganta por meses, você me ouviu e pediu desculpas milhares de vezes e me beijou. Seu beijo não era o mesmo, meu coração não palpitava toda vez que dizia meu nome, minhas mãos não tremiam de vontade de você. Tudo mudou.

Voltei para casa sem a resposta que esperei por tanto tempo, pouco importa. Naquela noite voltei sozinha mas coloquei um ponto final em algo que me atormentava. Nós não poderíamos dar certo, você sempre fora egocêntrico, eu sempre carente. Você sempre bancando o adulto, eu sempre tentando voltar a ser criança. Eu sempre te amando, você nem sempre.



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