29 de jan de 2013

Aquela praia, aquele amor platônico





Depois de tanto tempo, finalmente nos convenci que deveríamos nos encontrar. Eu tinha medo dos sentimentos que ficaram guardados dentro de uma caixa de sapatos. Você talvez tinha falta de tempo mesmo. Trocamos algumas mensagens, por dias. Eu estava na sua cidade, era virada de ano, estávamos com tempo livre. Tinha deixado minhas provas, trabalhos finais  da faculdade em São Paulo. Você deu um tempo nos estudos para o vestibular.

Carregava o celular no bolso, chinelos cor de rosa e uma vontade imensa de te encontrar. Engoli meus medos, segurei as borboletas no meu estomago e te abracei. Parecia que o tempo não havia passado, que todas aquelas histórias de idas e vindas não haviam acontecido. Caminhamos pela praia, como de costume. Pela primeira vez conversamos sobre o futuro. Faculdade, emprego, vida.  Pegamos onda com as lembranças e viajamos no tempo, juntos. Falamos sobre os amigos que mudaram e as saudades que ficaram. Sua vontade de estudar em São Paulo e a minha vontade de passar mais férias na praia. Você quer uma família grande, uma mulher super dependente e um cachorro manso. Eu quero uma família grande, ser independente e um dálmata. Brigamos por isso também. Você disse que dálmatas não eram bons para crianças, eu te xinguei e disse que queria um assim mesmo. Parecíamos mesmo um casal de velhos, sentados no banco da praia, discutindo sobre nada.

Nós rimos tanto aquele dia que me fez pensar o porque teria dado tudo errado, mais uma vez resolvi colocar a culpa no maldito destino por separar completamente nossas vidas, nos trazendo novos amores e novos desafios. Nos despedimos depois de horas, estávamos atrasados para os preparativos da virada. Nos abraçamos, no meio da avenida. Você prometeu que não iria desaparecer novamente, eu prometi que deixaria você levar nos bolsos todo meu sentimento platônico que não tinha conseguido esquecer.