11 de fev de 2013

Reflexos de um espelho



Prendi meu cabelo, num coque, sem elástico nem nada. Vi meu reflexo numa janela e simplesmente me peguei a pensar em tudo que já tinha vivido até então. Sempre tive cabelo até a cintura e nunca os prendia, como se quisesse esconder alguma coisa em baixo deles. Sei la, estranho.

A partir daquele momento entendi o quanto estive tentando esconder, e não dos outros só de mim mesmo. E com eles ali, no alto da cabeça, de um jeito bizarro (que já achei bonito em fotos americanas pela internet) foi que eu percebi que não precisava esconder nada de ninguém.

Ali, naquele reflexo, não expressava todos os meus medos e minhas angustias. Ninguém que vê uma foto colada na parede do meu quarto pode sentir os mesmos sentimentos que eu sinto quando as observo. Ninguém sabe como é uma dor, até poder senti-la junto a si. Não importa a imagem que passo por ser quem eu sou. Ali tudo que eu via era uma garota, sorridente, de camiseta branca amassada, shorts curto que provavelmente esqueceu de pentear os cabelos.

Tudo que podia se ver era uma garota, com amigos sinceros e jeitinho de menina. E pela primeira vez me senti bonita sem salto alto, maquiagem e ninguém precisou me dizer isso. Dei por mim que talvez aquele cara que tentou me passar uma cantada enquanto eu ia até a padaria de pijamas não seria tão insano assim. 

Me senti bonita por simplesmente ser o que sempre fui, sem máscaras, desafios ou adivinhações. Sem precisar ser meiguinha, subir num salto maior, passar mais rímel e falar mais alto para conseguir atenção e amigos de verdade. Dei por mim também que no reflexo era só aquela eterna menininha, com um metrô e meio e um coração enorme.