Marília de Azevedo

Segui em frente

08:24



É claro que deu saudade.

Saudade das suas mãos envolvendo as minhas, e de quando isso era tudo que eu precisava para enfrentar qualquer problema que aparecesse, por maior que fosse. Saudade daqueles beijos apaixonados e das tardes preguiçosas de domingo. Saudade daquele abraço apertado e de quando você me pegava no colo no meio da rua, só para me ver ficar vermelha. Saudade das risadas, e músicas, e livros e sonhos compartilhados. Saudade do nosso castelo imaginário, onde eu era sempre a princesa e você meu príncipe corajoso que me tirava do alto da torre. Saudade dos planos, viagens e cursos que nunca fizemos, dos filhos que nós não tivemos, das casas que nós não construímos.

Mas saudades, cara, saudade não leva a lugar nenhum. Não, porque foi um longo e lindo inverno. E você me fez muito feliz, apesar de todos os problemas que tivemos que enfrentar. Mas o inverno acabou, e você foi embora, sem ter porquê, sem me deixar ao menos mais um sonho para sonhar. Você me deixou, foi escolha sua. Eu não podia fazer outra coisa a não ser seguir em frente. E você nem sabe o que eu passei por isso. O que eu ainda passo por causa disso. E eu não te culpo. E nem me culpo também. Pra te fazer feliz, eu fui até onde eu pude e além.

Por isso, você não pode esperar mais nada de mim além das lembranças boas que eu guardo. As ruins eu já deixei pra lá faz tempo. Doer, doeu. E muito, mas eu me levantei e segui a diante. Você fez o mesmo e eu fico muito feliz por isso. Então me deixa apenas sentir saudade. Sinta também se você quiser. Mas não tente remendar as coisas, nem revire muito o que passou, porque passou. E foi muito bom. E coisas melhores sempre estão por vir.

Você pode segurar minha mão se quiser. Pode me abraçar e me proteger. Pode simplesmente pensar em mim de vez em quando. Só não vá criar outros castelos que você não pode manter em pé. O carinho que eu sinto por você será sempre o mesmo. Mas eu não sou mais princesinha, cara. Não entro mais em qualquer conto de fadas. Eu tive que crescer sobre as ruínas do nosso castelo caído. Tive que segurar a barra e acordar pra realidade. E hoje eu já virei rainha, rainha de mim mesma, dos meus sonhos e dos castelos que vou construir por aí com alguém, ou sozinha, mas vou em frente. Saudade nenhuma me fará voltar atrás.

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