11 de mar de 2013

Dose






Eu engoli o orgulho e peguei o ônibus sem te avisar que ia, fiquei imaginando mil coisas que poderiam acontecer e você não estar em casa, não estar perto, não atender o celular, e tudo dar errado. Respirei e fui do ônibus para o metro, confesso que quando cheguei ao terminal fiquei no mínimo 15 minutos pensando no que fazer, dizer, sentir. Peguei o celular e te liguei, no segundo toque eu já estava pensando no pior, mas você atendeu.


 Veio me buscar no metro como de costume, quando se aproximava por incrível que pareça eu sorri, e corri para os seus braços como se aquilo fosse tudo que eu tivesse, e era. Seu abraço, seu apoio e sua compreensão eram tudo que eu tinha.

 Conversamos por horas na praça que costumávamos ficar em alguma tardes, te contei dos meus problemas pra variar, e você fez piadas das minhas crises de existência, mas me ouviu, me apoiou e limpou minhas lágrimas. Depois disse que aquilo era bobagem e tudo logo ia passar. Nós discutimos uma ou duas vezes pra não perder o costume, e sonhamos uma centena de vezes por segundo em como as coisas poderiam ter sido diferentes e como ainda podem ser um dia. Você me falou da sua vida e sorria ao dizer que pensava em mim na faculdade. Eu te disse que sua vida era fácil e você não tinha problemas, e como sempre você afirmou com certeza que seu problema era eu. Nós rimos, brincamos, brigamos e nos abraçamos.

 Você me levou até o metro, se despediu, pediu que eu voltasse, me abraçou e me deu um beijo na testa. Eu não larguei do abraço por alguns minutos e suspirei me virando de costas.Então você me perguntou:

- Porque você veio hoje ?

Eu respirei o mais fundo que pude e respondi:

- A pergunta certa seria “porque demorei tanto pra vir ?”


Eu fui embora sem nunca saber se você realmente tinha entendido tudo aquilo,  tomei minha dose de você aquele dia e rezei até chegar em casa para que aquela dose durasse mais que as outras, e assim seguia até o vício passar.