29 de abr de 2013

Mais um sobre saudade




As vezes me pergunto porque escrevo tanto sobre saudade e não mais sobre as coisas boas que nós vivemos, até que começo a me lembrar como tudo aquilo não passam de lembranças compradas e começa a apertar mais aqui dentro. Escolho te deixar de lado e pensar nas coisas que nunca tivemos porque é mais fácil idealizar do que relembrar e sentir saudades.

Hoje não consegui. Tive que remoer uma de nossas lembranças até que minha garganta secasse e implorasse para parar. Lembrei uma, duas, três vezes ou mais. Deitei sozinha no quarto, no silêncio, apenas eu e meus pensamentos vagos. Essas lembranças me mostraram ainda mais a falta que você faz. 

Tinha passado o dia todo ao seu lado. Dirigíamos pela cidade ao som das nossas músicas favoritas. Fomos a lugares incríveis, tomamos banho de chuva e nos abraçamos em baixo a uma árvore. Momentos estes que me mostraram que valeu a pena todas as horas na estrada para te encontrar. Valeu a pena cometer mais uma loucura, sair de casa de madrugada, receber uma cantada no metrô, sentir o coração acelerar a cada parada do ônibus e mais ainda ao ver de longe o nome da sua cidade numa daquelas placas verdes e gastas na estrada.

Era noite e o caminho para casa ainda seria extremamente logo, madrugada afora. A cada esquina que passávamos em direção ao rodoviária me trazia uma vontade absurda de puxar o freio de mão e fica mais um pouco com você. Fiquei quieta o resto do tempo e você também. Será que essa despedida doeu ai tanto quando doeu aqui? Você parou o carro e me perguntou o que eu tinha. Segurei as lágrimas em vão e agradeci pela escuridão, assim você não poderia vê-las. Senti minha voz firme dizer que não era nada. Sorrimos, nos beijamos e eu fui embora.

 Odeio o caminho que nossas vidas tomaram desde então. Odeio tudo isso que separa nosso abraço, odeio nossas lembranças que dão saudade. Odeio tanto não poder ter ficado um pouco mais, ter dito coisas que precisavam ser ditas, ter te abraçado e beijado mais uma ou milhares de vezes. Odeio tudo que poderíamos ter vivido. Odeio não conseguir te deixar para trás. Odeio não te odiar.