1 de mai de 2013

A flor e o concreto




Certo dia, um viajante passava por uma rua qualquer. Carregava alguns sacos de sementes bem pequenas. Sementes estas que precisavam de extremo cuidado para poder florescer. Ao atravessar uma avenida movimentada da cidade de São Paulo, tal viajante se assustou e deixou algumas sementes rolarem pelo chão de concreto. Não notou a perda de tão pouca quantidade e continuou sua caminhada pelo mundo.

Algumas delas foram chutadas, amassadas pelos carros e levadas pelo vento para lugares mais distantes. Nunca floresceriam em meio à cidade cinza sem os devidos cuidados. Semanas de chuvas se passaram até que o Sol fez questão de aparecer. Um filete, do tamanho de uma agulha, atravessou o concreto quente e aqueceu aquela sementinha que tinha se perdido e, entre tantas outras, fora parar num buraquinho escondido de todos os males do mundo.

Começou a florescer ali, em meio à multidão e o caos. Mesmo sem os nutrientes necessários para sobreviver àquela flor cresceu, desabrochou e provou para o mundo que não importa onde esteja e sim a vontade de tem de fazer acontecer.

O viajante não voltaria para ver tal beleza produzida por acidente, fora embora sem ao menos olhar para trás e dar-se conta do que havia deixado. Assim acontece também com um nossos mais profundos sentimentos, amor. Nasce entre tantas inda e vindas da vida. Cresce e desabrocha dentro da gente, fazendo-nos questionar porque ainda existe. Depois que o mundo peça para desistir ele continua, firme e forte, desabrochando e provando ao mundo que é verdadeiro.

Se algum dia tiver deixado cair tal semente por favor volte e veja o que ela se tornou. Ou melhor, não vá embora. Não teste o amor, viva-o como se fosse o primeiro.