7 de jun de 2013

Contratempo



Entrei no carro e não consegui esperar virar a esquina para começar a chorar. Liguei o som e o costumeiro abbey road não soou tão acolhedor desta vez. Pisei fundo no acelerador como se pudesse deixar pra trás todo esse emaranhado de sentimentos que entalaram na minha garganta, mas eles me seguiram acelerando no mesmo ritmo.


Queria ter dito que havia fugido pra tão longe só para esquecer e como isso ironicamente me aproximou dele, mas não disse. Me concentrei apenas em manter a cabeça erguida e quase consegui. Já chega de drama, me convenci. Remoer ou chorar não iria concertar as coisas.


Nada mudaria e eu sabia disso. Sabia também que talvez fosse melhor se mudasse. Sabia que qualquer raiva ou temor seria melhor do que a indiferença fria que vi em seus olhos. Mas não permiti que isso me abalasse muito, nem me atirei ao chão atrás de qualquer migalha.


Com o tempo, eu aprendi que só o tempo cura o desamor.



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