amor

Esse é o nosso mundo

18:08



Sempre fui diferente. Nunca fui politicamente correta nem nada parecido. Era apenas mais uma garota que vivia no seu mundinho fechado e se mantinha o mais longe possível de toda aquela realidade conturbadora. Era bom assim. Criava meu próprio mundo e aceitava que o reinaria sozinha. Claro que não sou nenhum bicho do mato, agia e bebia socialmente como qualquer outro ser humano normal. Mas trocava qualquer contato com essa sociedade parasita por minha cama e um bom livro.

Sempre fui apaixonada por uma série em específico. Apesar de haver milhares de fãs espalhados pelo mundo nunca consegui encontrar alguém para discutir abertamente. Muito menos para usar referências sobre algo que assisti ou li sem que outra pessoa não entendesse absolutamente nada. Ficava aquele clima estranho de "tudo bem, ela é assim, jeitinho dela, não discute". E cara, como era chato isso. Eu era a estranha, a descolada, a irreal. 

Até que você apareceu. Eu nunca pensei que encontraria alguém tão parecido comigo, embora somos arrogantes o suficiente para nunca aceitarmos isso ou repetirmos em púbico uma atrocidade dessas. Nós gostávamos das mesmas coisas, mas também nunca concordávamos com isso. Agora que parei para analisarmos nosso passado vejo o quanto nós éramos idiotas. Isso, pela primeira vez ouso a dizer em público a palavra nós, com uma referência à nós.

Hoje penso que talvez não quisesse ter realmente te encontrado. O príncipe irreal, do meu castelo de cartas que desmoronou a partir do momento que você partiu. Fico aqui guardando minhas referências nerds, assisto meus filmes de ficção científica sem ter com quem compartilhar, vou ao cinema sozinha. Cara como me faz falta nossas idas ao cinema. Principalmente a parte que nós discutíamos o filme e discordávamos de tudo. Era ali naquelas horas no escuro que a gente se entregava um ao outro, mesmo que nunca assumíssemos  nada depois quando as luzes se acendiam.

Não vou negar, sinto sua falta. Como amigo, como parceiro, como amante, como pessoa. Sinto falta de poder agir do jeito que eu realmente sou ao lado de alguém que também o fazia. Éramos perfeitos demais um para o outro. Mas isso não significa que aqui dentro eu não sinta falta de tudo isso, principalmente do excesso e da falta do nosso nós, estranho, diferente, deslocado e irreal.



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