12 de junho

Mais um dia dos namorados

11:21



Mais um 12 de junho. Sempre detestei essa data, defendia com os pés juntos que ela fora criada apenas pelos donos de motéis, floriculturas e fábricas de chocolate. Onde os casais fazem filas para entrar no motéis, compram flores do tamanho do mundo para suas namoradas e rios de chocolates que elas vão distribuir entre os familiares porque a nova dieta não permite.

Mais um dia nos namorados como todos os outros. Eu e meus relacionamentos furados que sempre começam e terminam, antes ou depois, dessa data. Acordei bem tarde, evitei todas as redes sociais e não chequei as mensagens dos meus amigos no celular me convidando para inúmeras festas de solteiro. Já passei dos 20 a algum tempo, ficar bêbado numa noite como essas e reclamando não tinha mais graça, pelo menos em público.

Peguei uma xícara de café enorme e sentei na frente da televisão. Inúmeras reportagens, comerciais e entrevistas falando justamente desse dia. Mas que droga! Desisti de todos os meios de comunicação. Liguei meu Ipod no último volume, mas aquela lista de reprodução me lembrou a última vez que o vi. Nós discutimos e nunca mais nos vimos. Acho que não faz tanto tempo assim, mas cara como eu odeio ser metade. Metade namorado, metade meu. Adotei metade dos seus sobrinhos e amei sua mãe pela metade. 

Tomei um banho quente, coloquei outro pijama. Selecionei todos os filmes de drama românticos que Hollywood pode me oferecer. Peguei uma garrafa de tequila pela metade e pedi pizza de queijo. Sentei no sofá da sala e ali fiquei, entre dramas alheios e cobertores. Já passados quase dois filmes e havia mais ar do que líquido dentro da garrafa, minha campainha toca. Bendito seja o porteiro por não me avisar.

Olhei pelo buraquinho da fechadura e reconheci imediatamente seus sapatos. Droga, tá fazendo o que aqui? Perguntei o que você queria, antes de abrir a porta. Conversar, claro. Noite de dia dos namorados e você aparece na minha porta para conversar. Deve ter deixado a atual no carro enquanto subia para buscar alguma coisa que esqueceu por aqui. Mas a única coisa que você tinha esquecido ali era eu.

Abri a porta e você sorriu com os olhos. Tinha uma garrafa de vinho nas mãos e um pedido de desculpas no outro. Sentei no sofá e voltei a agarrar meus cobertores na esperança de passasse a vontade de fazê-lo com você. Você sentou ao meu lado, colocou o vinho ao lado da minha tequila. E observou a televisão. Suspirei e perguntei o que queria, mais uma vez. Que dissesse logo e fosse embora, me deixassem em paz para sempre.

Você me disse que queria passar os dias dos namorados comigo. Gargalhei, nós não somos namorados. Seus olhos baixaram e você suspirou mais uma vez. Turbilhões de pedidos de desculpas e explicações das mais alucinadas invadiram meus ouvidos. Perguntei porque nunca tivemos um final e você me disse que só te ouvir minha voz já teria desistido. 

Segurei as lagrimas, terminei a garrafa num gole e voltei minha atenção para a TV. Você me pediu desculpas mais uma vez e disse que me amava. Senti uma queimação dentro do estômago e tinha certeza de que a tequila não tinha absolutamente nada a ver com isso. Desisti de segurar as lágrimas quando você me disse: É dia dos namorados, quer começar a namorar comigo nesse dia? Deixei todo o orgulho de lado, pulei nos seus braços e disse a mim mesma que já era completo só pelo fato de você estar ali.


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