28 de ago de 2013

Diálogos


 

A gente escreve, rescreve, inventa, apaga, começa de novo, do zero, do meio, tenta achar um final, se expressa, reinventa, reescreve de novo, apaga. Procuramos de infinitas formas expressar em palavras os mais variados sentimentos presentes dentro do nosso ser. Mas injusto, e anti literário,  é aquele que se diz completamente aberto sobre o assunto. Porque uma coisa é tentar se expressar, outra completamente diferente é ser bem interpretado.
 
Por mais que demonstramos sempre, nunca seremos bem entendidos. Talvez - mas só se - seu amigo mais próximo passe pelo mesmo e te deixe aquelas frases de consolo que ninguém aguenta mais (Cara, eu te entendo). Não, você não entende. Vivemos única e exclusivamente com monstros que nós mesmos criamos e somos nós que precisamos decidir se alimentamos ou  se os destruímos.
 
Nem preciso dizer como é estar apaixonado. Você tenta a todo custo demonstrar seu desejo mais ínfimo e obscuro, daqueles que repudia diante do espelho. Mas não dá, nunca dá. Sempre vai ter aquele flerte mal interpretado, sorriso e o olhar 43 que você treinou a semana inteira que será desviado, aquela frase que você repetiu mentalmente que não vai dar certo porque infelizmente a outra pessoa não vai seguir o seu spcript - ator maldito, atue de acordo com o que planejei ou será demitido.
 
Apelamos para músicas, sempre. Você ouve e se imagina ali dentro, vivendo como descrito. Corre no site de busca e procura pela letra. Envia e se arrepende. Porque você vai interpretá-la de uma forma, mas o outro talvez não entenda. Talvez não, eles nunca entendem. Onde será que fica o manual do ser humano? Em que pagina explica como é que a gente regula na mesma frequência a sua expressão com o entendimento do outro? É, não tem. Por isso que as pessoas se tornam cada vez mais sedentas por essa conquista, e tem muitos desistem.
 
Se houvesse realmente alguma forma de ser bem interpretado, mesmo com vocabulário perfeito e paciência para dialogar e discutir, não haveriam tantos poetas mortos na literatura romântica que partiram sem saber o que dizer. Já dizia Skakespeare "Duvida da luz dos astros, de que o sol tenha calor. Duvida até da verdade, mas confia em meu amor". E quantas vezes nós, reles mortais quando o assunto é comunicação, não temos aquela vontade de repetir várias vezes: por favor, acredite. E ficamos na esperança de que este o faça?
 
Palavras podem ser vazias, atitudes também. Diálogo que as vezes acontece quando o outro só esta ali, a espreita, esperando aquela sua brecha e apontar seus erros. Esqueceu-se o real significado da comunicação. É por isso que fico aqui, noites sem dormir, escrevendo coisas que talvez um dia você possa entender.


 
 


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