16 de ago de 2013

O amanhã



Nós estávamos numa festa, juntos. No fim da noite tive que convencer meus pais, meu cachorro e o filho da vizinha para que você pudesse ficar até a manhã seguinte. Fomos para casa e ficamos até tarde assistindo filme na sala. Meu pai te obrigou a dormir na cama de baixo e eu tenho certeza que qualquer barulho a mais que fizéssemos ele seria o primeiro a bater na porta. Que bobeira né? Eu pensava já sou maior de idade, relaxa. Você parecia ler meus pensamentos e só sorriu com o olhar.
 
Deitei entre meus cobertores que me protegiam daquela noite fria de junho. Você se remexeu ali em baixo e quando dei por mim você já tinha pulado para a cama de cima, me abraçando e acariciando meus cabelos.

- Acho bom você ir para seu lugar, ou vai ser expulso daqui durante a madrugada. - sussurrei com os olhos fechados e contendo um sorriso.
 
- Mas acontece que já estou no meu lugar. 
 
Me aconcheguei mais perto do seu abraço. Você disse que me esperaria adormecer. Senti um beijo gelado no meu ombro, quando você se esgueirou para baixo me deixando sozinha.
 
No outro dia acordei antes do nosso despertador. Olhei e não te vi ali, ao meu lado. Escutei sua respiração ofegante foi quando me lembrei do que tinha acontecido. Sorri para meu medo bobo de te perder no meio na noite. 
 
Dali de cima, fiquei olhando seu peito acompanhar sua respiração. Sua boca desenhada e seu nariz arrebitado. Seus cabelos que nunca ficavam bagunçados, como sentia inveja deles. O despertador finalmente tocou e você acordou com um pulo e me perguntou a quanto tempo eu estava acordada. Tempo o suficiente para conseguir te amar mais, pensei.
 
No fim do dia, quando você teve que ir embora, me apertei entre seus braços e pude ouvir seu coração bater. Eu sei que nós estávamos apenas no começo de tudo, que noites assim logo ficariam enjoativas. Mas sabe como é, eu e meu drama sempre a frente de nossos sentimentos. Tive sorte de encontrar você, tão dramático quanto, embora nunca assumisse isso.

Entre seus braços você sussurrou no meu ouvido.

- Vai me ligar amanhã? E depois, e depois?

Eu sorri e disse
- Não, eu quero estar com você enquanto houver amanhã.