5 de set de 2013

Closed window


Eu ficava na janela esperando você passar de carro. Com seus óculos de sol e seu boné da moda. E você parava ali no vizinho, às vezes acompanhado e às vezes sozinho. E eu queria morrer quando você aparecia com outra garota.

Eu fazia tempestade em copo d'água, fazia cena e chorava, mesmo sabendo que nunca ia dar em nada. Eu me afastava, te mandava sumir e você sempre me respeitava pra me deixar com ainda mais raiva. 
 
Você me queria bem. Bem como a um brinquedinho que você pode esconder no bolso e tirar para brincar quando bem entendesse. E a gente até que ficava legal junto, qualquer um podia ver isso, mas você não.
 
Antes tarde do que nunca, um dia eu fechei a janela, escapei desse buraco escuro em que você me escondia, coisa que também nunca admitia. Talvez não fosse mesmo por mal. Fosse como fosse, era sempre a mim que você procurava quando precisava de alguém, de um colo, de um conselho ou um cumprimento, me fazendo sentir especial apesar dos pesares.
 
Hoje você vem me procurar e eu não tenho mais aquele brilho apaixonado no olhar. Convenhamos que com todos esses anos somados a mais tantos outros enganos, eu tinha que aprender a me virar e recuar, me defender. 
 
Digamos apenas que eu cresci ao longo desses anos, evolui. E você continua aí, acertando e errando o passo. Complicando as coisas mais simples, deixando as pontas soltas, perdido no seu próprio medo de se perder. E o que eu sei, garoto, é que eu não me perderia mais uma vez em suas armadilhas.




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