Bon Jovi

Por onde andei - Bon Jovi e Nickelback

13:14




 
Eu vivia dizendo que havia pouca banda legal no mundo que valeria a pena comprar ingresso, passar horas na fila, tomar chuva, ficar cansado e assisti-la ao vivo. Claro que estava redondamente enganada. No começo do ano uma dessas bandas que valia a pena sofrer no "pré show" e uma das minhas bandas gringas preferidas anunciaram sua vinda aqui no Brasil. No mesmo dia que as vendas dos ingressos começaram, corri no ponto mais perto de casa e garanti o meu mesmo sem ter com quem ir e não fazer a mínima ideia de como chegar ao local. Fiquei esses meses esperando companhia mas nunca conheci ninguém que gostasse o suficiente para ir ao show. No último domingo, peguei minha mochila e sai cedo atrás de um sonho: ver uma das minhas bandas de inspiração no palco.
 
Uma das coisas mais legais em São Paulo é a localização dos lugares públicos, como A Av Paulista, Rua Augusta e Parque do Ibirapuera, que se encontram próximo a alguma estação de metrô. Mas o Morumbi foge muito a regra, nada é perto do Morumbi. Demorei quase duas horas para chegar até lá e não fazia ideia de como ia voltar para casa, fui sabendo que haviam grandes (enormes, diga-se de passagem) chances de eu ter que dormir na estação de metrô por ter perdido a última chance de ir para casa.
 
Mesmo assim, coloquei muita água e porcarias comestíveis numa mochila grande, meu bom e velho all star rasgado, fones de ouvindo e um batom vermelho. Sai e quando cheguei lá tive a certeza de que era a coisa certa a ser feita. Cheguei cedo, sentei no chão quente de concreto e fiz amizades sinceras que nunca mais vou encontrar. Dormi sentada na fila tentando me recuperar da viagem e da noite não dormida do dia anterior. Quando os portões do estádio abriram, as horas que passei em baixo de chuva e Sol na fila começaram a valer a pena.
 
Desde o show no Rock in Rio, que aconteceu na sexta feira, eu assumo que fiquei apreensiva quando à este (quem me segue no Twitter deve ter notado). Porque esperava tanto, era injusto que ele fizesse isso comigo. Roí as unhas na esperança que fosse completamente diferente, e não é que foi? Primeiro com Nickelback, sem comentários. Nunca fui super fã da banda, apenas gostava. Depois de domingo, passei a rever um pouco esse conceito. Os caras são muito bons. Eis ai um show que eu gostaria muito de repetir a dose. Por favor, voltem!
 

 
Esperei mais, já sem unhas e cansada as luzes do Morumbi se apagaram e tudo começou a ser real. Não vou descrever o show em si, com playlist e essas coisas, tem muito site que vai fazer isso por você. Vou descrever como me senti ali, naquelas horas. Após a longa introdução para a entrada da banda (que para mim não foi só longa mais uma espera interminável cheio de ansiedade) eles provaram que a que vieram e fizeram um show espetacular e inesquecível. Não digo isso só com olhos de fã, digo como alguém que assistiu o Rock in Rio e estava com medo daquilo se repetir.
 
O fato é que sim, ele estava extremamente mais animado. Pelo telão podia ver seu sorriso sincero e a vontade de fazer aquilo acontecer. Sem contar que a agitação do publico também foi um diferencial. A galera estava lá para provar que a banda, com problemas ou não, precisava seguir em frente e continuar realizando sonhos por ai. Acho que ele entendeu o recado.
 
Quando Jon Bon Jovi pediu que a plateia usasse a luz de seus celulares apontando-os para a frente, o Morumbi ficou iluminado pelos fãs
 
(um dos momentos que mais me emocionei, quando ele pediu que o público ligasse o celular e apontasse em direção ao palco, milhares de luzes iluminaram o estádio)
 
Chorei, gritei, fiquei sem voz e com o corpo todo dolorido. Tomei chuva, excesso de Sol, passei fome, reclamei do preço da comida do estádio, comi um lache ruim. Tomei mais chuva quando o show chegava próximo do fim, a ponto de voltar para casa batendo os dentes e implorando um banho quente. Minha música preferida não foi tocada mas vi inúmeros sorrisos, ouvi elogios quanto ao publico paulista e recebi uma promessa de volta ao Brasil. Talvez seja verdade e talvez não, a minha única certeza é que estarei lá quando resolverem voltar.
 
 
 
 
 
 
 
 
Embora todas as coisas que deram errado, que aliás eu como macaca velha de show já estou acostumada, ouso a dizer que esse foi o melhor show da minha vida. E uma dica: sair consigo mesmo é o melhor remédio para se encontrar. Talvez pelo caminho você encontre pessoas, talvez fique mais tempo com seus próprios pensamentos. Mas nunca deixe de fazer algo por falta de companhia, esse pode ser o maior erro de sua vida. Não espere os outros, saia e vá ser feliz mesmo que sozinho.
 
 
 


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