amizade

Eu, minha garrafa de cerveja e meu amor platônico

13:16


Eu te observei o final de semana inteiro. Talvez tenha sido esse o meu maior erro. Mas era hipnotizante o jeito que você arrumava o cabelo e o deixava ainda mais bagunçado. Como a cerveja já quente escorria pelo seu queixo fino e te arrancava uma gargalhada acompanhada e uma careta engraçada. Quando perdia o olhar em canto algum, com a mente longe e um zumbido nos ouvidos. Podíamos falar sobre qualquer coisa, perguntar qualquer coisa e rir de qualquer coisa. Aliás você sempre chegava na hora do riso coletivo. Como se a sua mente estivesse esperando para voltar a sorrir. 

Tinha também aquela música que nunca mais saiu da minha cabeça. Malditos hits de verão que grudam como chiclete, mas o problema na verdade nem era esse. O ruim não eram os acordes decorados, as letras fáceis e extremamente irritantes. O ruim foi que você partiu e a música ficou. As vezes me pego lembrando de como sua cintura fina rebolava de forma desajeitada e como equilibrava o copo cheio de gelo numa única mão. Apesar disso tudo não via uma gota ser desperdiçada.

Eu odiava cada segundo que o silêncio nos consumia. Como se você esperasse que eu tivesse algo a dizer, como se faltasse parte da coreografia. Porque para mim era muito mais fácil te irritar enquanto nossos amigos estavam por perto mas, quando isso não acontecia, eu sentia uma imensidão de saliva travar minha garganta e eu não conseguia pensar em nada para dizer. Caminhamos, discutimos música e cerveja. Nunca pensei que pudesse conhecer uma garota que gostasse tanto assim de uma cevada.

Senti algumas vezes seu olhar me perseguindo, mas bem pouco. Hoje me disseram que você não tirou os olhos de mim. Desculpa, mas fiquei completamente bêbado todos os dias possíveis e assim eu consegui ficar mais perto de você. Embora eu tenha meras lembranças concretas de tudo o que aconteceu sinto que talvez poderia ter sido diferente. Eu estou um pouco destruído por dentro e não queria que a minha sujeira interna apagasse seu brilho. Mas eu gostei dos seus olhos castanhos, do seu jeito de falar e principalmente reclamar. Mas não estou pronto para sair da minha zona de conforto pós-relacionamento-furado.

Quando chegou a hora de ir embora eu me afastei, você também.  Descobri que você odeia despedidas e queria que aquele final de semana durasse para sempre. Ficamos afastados o dia todo e eu sentia o peso da ausência de algo no seu olhar, mas nunca imaginaria que fosse a causa. Na hora de pegar a estrada você me abraçou e fingiu que não se importava, bem típico de você. Eu gostaria de ter ficado mais, ter te abraçado mais, te beijado a noite inteira e sentido seu corpo colado com o meu. Mas o máximo que consegui foi dividir uma garrafa de cerveja e muitas gargalhadas. Eu espero que um dia você volte. E espero estar preparado para isso.






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