13 de mar de 2014

Puxa e fica



Calma aí, deixa eu explicar. Senta, pega o café, o cigarro, ou seja lá que droga você deu para se viciar agora. Só me escuta, eu preciso explicar. Eu preciso entender. Essa história está muito mal contada, com suas vírgulas, reticências e aspas entre esses parágrafos não justificados.

Você se lembra, você abriu mão de mim há muito tempo. Naquela noite, naquele bar, com as suas incertezas e seus olhos cheios de lágrimas. Você abriu mão de que eu fosse sua, me deixou livre para partir. Eu é que não fui. Eu fui ficando, entre um copo e outro, uma decepção e outra, uma migalha e outra.

Sim, eu quis ficar. Foi escolha minha não ter entrado no meu carro e deixado sua vida pra sempre naquela noite. Eu não estava pronta para abrir mão de você. Por isso fui ficando. Fui ficando por medo de partir e ser sozinha. Fui me perdendo enquanto te perdia. Sempre uma desculpa nova pra te deixar ficar. Pra não te mandar embora com sua ideologia barata de liberdade e todo o resto.

Mas um dia, você me machucou pra valer. Não sei se foi a gota d'água ou mero golpe fatal. Foi naquele telefonema que você não atendeu. Um de tantos. Fazia frio e eu liguei pra saber se você tinha melhorado do resfriado. Você me respondeu com uma mensagem mal humorada me pedindo que eu te deixasse em paz e fizesse meus planos sozinha. E eu fiz. Só pra não te contrariar.

Eu fiz as malas e embarquei sozinha naquela viagem que você havia prometido que faria comigo. Foi aí que eu descobri que sei me virar sozinha também. E eu te deixei em paz. Te deixei voltar de mansinho, com uma garrafa de vinho e um violão. Mas não sei se você gostou do que encontrou. Até me doeu um pouco perceber que eu não precisava mais de você para ser feliz. Ser feliz sem me agarrar as beiradas dos fios soltos que deixamos sem arremate. 

Bom, esse é o último fio. Quem é que vai soltar?