diferença

Na contra mão do mundo - O desagrado de ser diferente

15:10


Madrugada fria de domingo me peguei a pensar sobre tudo. Foi quase uma conversa comigo mesmo, daquelas que a gente tem no chuveiro ou na janela do ônibus. Onde a gente descobre o sentido das nossas vidas, a resposta para última questão da prova da semana passada e qual nossa missão nesse mundo. Já percebeu como tudo faz sentido nesses lugares? Mas dessa vez, para minha surpresa, foi no meio de um seriado. Com uma montanha de cobertores me protegendo da fria São Paulo. Quando eu me perguntei qual o sentido de ser diferente?

Todo mundo que me conhece tem o prazer de dizer que conheceu, que faz parte da rede social, que é amigo de alguém completamente diferente das outras pessoas. Eu até acho legal, quando de fato é o que acontece. Mas as vezes me pego a pensar como agem as pessoas que não são diferentes e aí chego a conclusão que ser diferente é um tremendo pé na bola esquerda. É difícil viver na contra mão do mundo. Pensando assim canhotos deve sofrer bastante - minhas solidariedades à todos os canhotos sofridos desse mundo.

Odeio quando vou ao bar e o garçom me pergunta qual das cores de martíni vou querer tomar, naqueles copos engraçados, se quero ou não mais uma dose de açúcar no meu drink e se tá bem fraquinho. Ai eu observo a cara do cidadão e apenas digo que quero a cerveja mais gelada que ele tiver, por favor, obrigada. Aquela cara de não-sei-se-to-com-pena-ou-se-me-apresento-pra-ela me corrói por dentro. Será que, para ser uma mulher apresentável ou sei lá o que, preciso realmente gostar de meio copo de gelo, um terço de fruta picada e um mindinho de vodka?

É horrível quando o cara que eu tô afim me vê como o amigo de bar. O irmão mais novo. A garota diferente. Não é legal ser diferente se todos forem apontar isso como forma de julgamento, mesmo que positivo. Não é legal ser diferente até que as pessoas comecem a ser diferentes como você. Nunca vi ninguém dizer que era legal usar óculos enormes e ter os cabelos bagunçados pelo vento. Pelo menos até um ou dois anos atrás. Até que alguém resolveu que ser diferente é legal. Mas seja só um pouquinho fora dos trilhos, tá?

Me sobe o sangue quando alguém me julga por xingar a mãe do juiz, discutir política ou falar sobre sexo abertamente no primeiro encontro. Ou quando alguém diz que sou legal por ser diferente. Tenho vontade de voltar para casa, pentear os cabelos, assistir seriado de mocinha, discutir a novela das oito e sonhar com o príncipe encantado para ver se as pessoas me vêem realmente como eu sou. E não somente por ser diferente.

Ouso dizer que eu, por ser mulher, não sou completamente psicótica. Tenho minhas doses diárias de cada drama que eu carrego, mas é só isso. Jamais discuti a roupa da amiguinha que passou por mim no shopping ou fiz piada do cara que tava do meu lado que olhou para a bunda da amiguinha que acabou de passar por mim no shopping. Eu provavelmente nem reparei na amiguinha que acabou de passar por mim no shopping. Eu não julgo quem faz parte desse complô contra a amiguinha que acabou de passar por mim no shopping, porque ela é maioria. É muito mais aceitável enxergar apenas a maioria.

Ser diferente é ser legal. Esse é um pensamento bem legal se levado ao pé da letra. Do cara que anda de chinelos no metrô até àquela garota que não sai de casa sem maquiagem. Ser diferente é legal quando ninguém usa isso para apontar seus defeitos ou subjugar suas qualidades. É legal quando alguém percebe o que se passa por de baixo daquilo tudo que você expõe pro mundo. É legal a partir do momento que alguém te diz que você tem de tudo para ser igual a todo mundo, mas optou por ser diferente. Porque quer saber? Ser diferente é bem legal.



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