amor

Nossas metades - amores incompletos

09:00

half of me

Eu nasci inteira e completa. Assim como você e aquele cara que mora no apartamento do lado do meu. Nunca me contentei com metades, de nada. No colégio era a garotinha com bochechas rosadas que se recusava a dividir o lanche com o coleguinha do lado. Amigos, amigos metades a parte. Não me vem com essa de que de grão em grão a galinha enche o papo. Isso é coisa de pessoas que se contentam com o mínimo. Eu devo assumir que as invejo porque estou sempre de olho no que já vem completo.

Colecionar figurinhas me dava arrepios. Aquele monte de buraquinho vazio e a carteira que ficava esperando a próxima mesada chegar. Café meio doce também não existe. Ou me dê diabetes ou me dê uma bela careta. Nunca me contentei com o copo meio cheio ou com meio texto. Nunca perdi a virgindade pela metade porque devo me contentar em amar desta forma?

Não quero amores que me completam porque felizmente já nasci assim, inteirinha. Mesmo que com algumas firulas a mais ou a menos. Não vem com essa de dividir. Não dividia o lanche na escola como posso viver sabendo que divido alguém? Muitas vezes você nem sabe que divide mas ai é outra história. Conheço pessoas - e já vivi de sexos - que aceitam essa divisão como uma forma de conquista. Uma coisa é jogar War e começar a conquistar os países menores com o intuito de juntar armamento e partir para a Rússia e outra coisa é conquistar logo tudo. Porque hoje em dia é assim, me dê a União Soviética ou não me dê absolutamente nada.

Que não me prometa meias viagens, meios amores e me faça desenvolver meias conversas. Eu preciso ter tudo porque eu realmente acho que mereço tudo. Ter um e desejar o outro é o mesmo que não ter ninguém, nem a si mesmo. Porque em primeiro lugar é preciso aceitar o quão inteiro você é, seja por dentro o por fora, para só depois conseguir colocar alguém ao seu lado como forma de companhia e não com o intuito de tampar um buraco que você sequer sabe que existe - ou como preencher.

A estrada para ocupar o lado esquerdo da minha cama, e do meu peito, nem é tão difícil assim. Basta ser e querer algo por inteiro, porque eu não me contento com metades. Ninguém vive de meias verdades ou não sente fome depois de um meio café da manhã. Ninguém gosta de tomar meio sorvete - casais de filmes românticos que me perdoem - ou conhecer o outro pela metade. Ninguém é um meio que não queria encontrar a outra parte que lhe torne um inteiro. É fácil, basta descobrir que a outra metade tá ai dentro de você. Mas, afinal, eu tenho que me contentar com o meio sendo que conheço os prazeres do inteiro? Eu te quero por inteiro e se não rolar por favor devolva minha metade.





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