colaborador

Lápis de cor

10:30

Foi só fechar a porta que minha sanidade resolveu ficar do lado de dentro como desculpa para que eu tivesse um pretexto para voltar. Mas não voltei. E ainda levei a chave comigo. Você que arrume uma cópia.

Sentei nas escadas e me despenquei a chorar. Precisava chorar, mesmo que não houvesse nenhum motivo aparente. Mas as lágrimas aliviavam o coração. Aquilo não era um adeus, eu sabia que não era. Era um “olá”. Um “olá” a um mundo visto de uma forma diferente.

Queria que os filmes tivessem me mostrado o que acontece depois do “felizes para sempre”. Mas, pensando bem, talvez tenha sido uma boa coisa não saber. Talvez quebrar a cara tenha me servido de muitas formas. Acho que os problemas passam a ter um sentido – e uma visão – diferente quando somos nós os protagonistas.

Se tem uma coisa que aprendi é não esperar que todo o mundo pare, só porque eu decidi parar a minha vida. Evoluir, todas as pessoas evoluem, mas nós temos o direito de escolher se queremos acompanhar a evolução ou cair fora. E quando escolhemos a segunda opção, precisamos saber que as pessoas não estarão lá de novo caso queiramos voltar.

E eu não queria acompanhar a sua – regressão – evolução. Não que eu também não tenha evoluído, mas, sabe. Evoluímos para caminhos diferentes.

Então eu, sozinha e com o rosto inchado de tanto chorar, naquela escada, me levantei mais uma vez. Olhei para a sua porta de madeira e segui em frente. Não esperei uma mensagem ou ligação, não esperei que você viesse atrás de mim, não esperei nada. Esperei apenas o ônibus para ir para casa.


Eu quis voltar e consertar tudo, como se nunca houvesse existido nenhuma rachadura. Mas sabia que se eu voltasse, iria ter que passar por todo aquele drama mais uma vez. E se decidir ir embora já foi difícil em uma primeira, quem dirá em uma segunda. E para resolver nossa solidão, não precisamos do amor dos outros, precisamos de amor próprio.

Olhei para o céu e, de repente, ele estava em uma coloração diferente. Acho que meu coração era quem estava. O que seria do poeta sem sua tristeza?

Talvez não possamos mudar o mundo, apenas porque nós mudamos, mas podemos mudar o que está a nossa volta. É como dizem, podemos colorir nossas vidas da cor que quisermos, quanto mais cores tiver, mais tons para se encaixar em nós.

E eu, naquele momento, fui comprar uma caixa de lápis de cor. 


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