amor

Tinteiro sobre o papel - Essa é a última vez

15:49


Quero começar dizendo que essa é a última vez. Claro que eu já disse isso antes e tive total certeza de que diria outras tantas mais, é que o meu grande problema é sempre manter um pouquinho de você aqui dentro que me faz querer acreditar. Eu realmente acreditava, em nós. Passei madrugadas escrevendo coisas que você sequer leu, e se o fez jamais entendeu. Fiz viagens impossíveis a olhos não apaixonados e inventei desculpas para poder te encontrar. Provei a mim mesma que amar sozinho dói, e dói pra caralho. Mas essa é, definitivamente, a última vez.

Eu preciso seguir em frente da mesma forma que você seguiu. Arrancar o mal pela raiz, já dizia minha vó. Sem essa de saudade, já sufoquei tanto ela aqui dentro do peito que as vezes até esqueço que ela existe. Não vou guardar nossas fotos, minhas passagens de ônibus para sua cidade ou as cartas que nunca te enviei. Já chega, eu preciso aprender a viver também. Porra! 

Não posso mais virar minhas noites de sábado a noite entre meus travesseiros e imersa numa saudade sem fim. Me afogando em lágrimas e em palavras que nunca disse. Mas eu tentei, que merda, eu tentei pra caralho! Não tem mais mensagem durante o dia ou motivos para poder te chamar de canto e saber como você esta. Você tá bem, eu sei. Bem melhor do que eu já estive, por sinal.

Não consigo acreditar no amor romântico, não mais. Essa história de ser feliz pelo outro ficou parada lá no século XX. Eu te amo, com todas as minhas forças. Mas essa é a última vez. Vou me obrigar a seguir em frente. Sem colocar ninguém no seu lugar ou sair por aí fazendo coisas para provar a mim mesma que estou viva. Porque eu sei que estou. Meu coração ainda bate, só que dessa vez tá bem solitário aqui dentro.

Eu acreditei em nós quando ninguém mais acreditava, nem você. Acreditei nessa coisa de destino e que quando tivesse que ser finalmente seria. Mas infelizmente não foi assim que aconteceu. Eu te amo, do jeito mais puro que alguém pode amar uma pessoa. Te amo com minha infância inocente, minha adolescência turbulenta e minha juventude safada. Te amo de manhã, de tarde e de noite. Te amo de uma forma que, eu duvido, alguém já tenha amado um dia. E se amou já não está aqui para contar essa história.

Te amei como Camões, Vinicius, Bandeira e Drummond. Ah, Drummond. Mas eu já escrevi demais sobre você. Foram histórias boas, cheias de reflexões e esperanças, por fim. Só que essa é a última vez. É a última vez que meu teclado se banha em lágrimas noturnas e meu peito suspira de uma saudade inimaginável. É a última vez, mesmo que não seja fácil mas eu preciso me libertar dessa prisão romântica que me enfiei por você. Por nós. Essa é a última vez que escrevo sobre e para você.



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