amor

Esse estranho jeito de amar

18:07

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Existem vários tipos de amores, isso torna o sentimento único. Nunca vi ninguém dizer que amou o atual como o anterior e sem essa de medir amor, por Deus! Amor é amor e pronto. Cada um sabe o quanto de espaço o outro ocupa dentro do peito e a forma com que este preenche o vazio que as vezes sobra aqui dentro. Amar dá medo. Tem aquele fiozinho de insegurança que fica gotejando do lado esquerdo do peito. E você nunca sabe se vai ou não transbordar, por fim.

Sempre amei demais, não nego. E hoje digo para quem quiser ouvir que eu te amava. Sinceramente, eu te amava pra caralho mulher. Eu amava o jeito que você segurava minha mão enquanto dirigia e como seu carro gritava implorando para que mudasse de marcha. Adorava quando estávamos juntas na faculdade, mesmo que bem pouquinho ou até distantes uma da outra. Quando você olhava no fundo dos meus olhos e sorria com os seus. Dos seus dramas, carências e incoerências femininas. Cara, como te amava.

Me lembro quando nos conhecemos e você me levou para caminhar no parque. Fiquei nervosa e disse coisas que não faziam sentido algum, pelo menos para mim. Mas você sorria. Meu Deus, como alguém consegue sorrir depois de me ouvir falar tanta besteira? Ai você segurou meu queixo e abriu o sorriso lindo. Parte de mim se viu perdidamente apaixonada por ti naquele momento, outra parte gritou "CORRE". Sabe como é né?

Nós nos encontrávamos escondidas. Dentro do seu carro ou nos corredores vazios da faculdade. Eu sinceramente não me importava em ser vista de mãos dadas com você e que se foda quem olhar torto para nós. E você me ouvia, sempre. Nunca te vi negar um minuto sequer de companhia ou algumas palavras bobas que me faziam sorrir por dentro e por fora. Sem contar nas suas gargalhadas quando eu fazia ou dizia algo que não fazia sentido algum. Você nunca se importou com meu péssimo senso de direção e nem reclamava em me deixar em casa de vez em quando.

Guardei no peito algumas das tardes que passamos juntas na minha sala de estar, assistindo algo qualquer e sentindo o coração acelerar ao pensar em te beijar. Dá medo, claro que dá medo. Amar faz o coração arrepiar por dentro e por fora. Deixa os pulmões sem ar e a razão que sempre aparece para negar o sentimento. Eu neguei. Não uma, ou duas vezes, mas neguei por várias noites seguidas. Hoje, deitada em meus travesseiros, me pego a viajar entre lembranças suas. Seu cheiro, seu toque, seu jeito grosso de falar e sua paciência comigo. Dá saudade, angústia e amor.

Eu te amava guria. Acho que, no fim, acabei aceitando que esse nosso vai e vem nos transformou em quem somos hoje. Você se libertou de algo que negava, eu me descobri em uma certeza que eu fingia ter. Espero que você seja feliz com ela e que seu coração palpite tanto quanto palpitava por mim. Desculpa, mais uma vez, por não te amar do jeito que você merecia. Acho que no fim foi melhor assim. Para você e para mim. Sinto saudades de ti, menina. 


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