contos e crônicas

Quando não é uma troca recíproca

10:00


É um erro que meu coração insiste em persistir. Não que seja proposital, afinal, erros acontecem por acaso - na maioria das vezes -, mas sempre acontece exatamente da mesma forma.

É como se a cada pessoa que eu vier a conhecer, meu coração tivesse a necessidade de pular para que alguém cuidasse de suas carências e escárnios. E, bem, o coração é meu. Por um singelo capitalismo egoísta e sentimentalista, quem deveria tomar conta dele sou eu e apenas eu.

Houveram tempos em que ele era lacrado. Bons tempos aqueles. Tempos onde as pessoas eram cuidadosamente selecionadas para que pudessem mexer com os meus sentimentos. Mas algumas vezes, quando as coisas precisam acontecer, elas chegam transtornando tudo à sua volta. E então, você se vê de alguém que não se deixava abater por nada e nem ninguém, conferindo o celular de cinco em cinco minutos – e até menos – esperando por aquela mensagenzinha. E aquele arrepio brutal que corre da nuca ao ventre e aquele desconforto quase mortal no estomago quando a janela do Facebook apita.

Talvez seja a vida me forçando a ficar calejada. Talvez seja o universo tentando me fazer (re)descobrir o que eu procuro. Porque, sinceramente, nem eu sei mais. Por muito, deixei de ter aquela intimidade com a tela do word. Então eu passava horas na frente do computador escolhendo cada palavra com muita cautela ao invés de deixar que as letras fluam e se construam sozinhas. Simplesmente por medo de admitir – seja lá o que eu tiver pra admitir.Cada pessoa que viemos a conhecer acaba levando uma parte de nós e deixando outra de si em troca. E através dessa troca recíproca, é que amadurecemos.

O problema se dá quando as pessoas acabam levando mais do que tem direito e deixando menos do que deveriam. E quando as pessoas levam muito de você e não deixam nada em troca, a carência em se redescobrir vem à tona.Se somos tão importantes, deveriam lutar e brigar para conseguir arrancar algo nosso. E não nos ter oferecidos de bandeja.

Talvez precisemos aprender a nos termos como inteiros ao invés de querer deixar uma parte nossa em cada um que conhecemos. Porque aí, o que sobrará de nós para nós mesmos?


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