contos e crônicas

Nossos caminhos, nossas distâncias

10:00


- are you ok?                                     - no.

Eu não causo mais efeitos sob você, eu até tento esconder minha decepção, mas comigo do que com a situação. Sei que devia ter te dado mais valor, ter te ouvido mais e quem sabe aproveitado uma das 500 chances que me deu. Fazem quantos anos? Já parei de contar, só vale a pena lembrar do tempo que ainda tinha você pra me abraçar, me apoiar, me escutar. Você me fez um homem, me fez crescer, me ajudou a crescer e melhor me esperou crescer. Sei que não adianta mais, só queria te agradecer, eu não seria o que sou se você não tivesse passado pela minha vida e dado um empurrão, me dado a mão e dito "vem comigo".

Nunca me esqueci de como me dizia sempre que ia passar, por mais aflita que tivesse, sempre teve esse seu otimismo inacreditável, eu sei que o sorriso no seu rosto milhares de vezes foi só pra me manter calmo, pra aguentar por nós dois, você também costumava fazer isso, aguentar tudo por mim ou comigo, obrigado por isso. Doí um pouco te ver assim, mas também me deixa feliz, tão livre e tão forte. Sei de seus problemas e sempre estarei aqui, por mais que seu orgulho te impeça de pedir qualquer ajuda, aguentando tudo no braço mesmo que machuque, quando quiser dividir o peso, estou aqui.

Não sei bem o que ia te falar, tenho conversado bastante com você sem você saber, e de alguma maneira ainda acredito que possa me escutar. Lembra que costumávamos dizer que nossa ligação não era dessa vida? Ainda acho isso e ainda creio que vamos nos esbarrar por alguma vida, alguma esquina, algum olhar, e se você deixar posso te fazer esquecer tudo aquilo, posso dar mais valor a cada “bom dia mo” que você me dava, cada ligação antes de dormir, cada relato sobre seu dia. 

Como eu adorava te ouvir falar sobre suas coisas, até mesmo quando ficava bravo por algum nome de amigo que surgia, achava encantador você me manter por perto mesmo longe, fazia questão de contar e falar mesmo que eu não conhecesse ninguém, obrigado por isso também. E por todas as vezes que me abraçou sem que eu precisasse falar que não estava bem, por me conhecer tão bem e por me deixar te conhecer também. Faz falta, alguém que me entenda assim sem palavras, aliás faz falta tanta coisa em você. 

Aquele jeito seu de abaixar um pouco a cabeça e por o cabelo atrás da orelha quando fica sem graça, o sorriso de toda manhã mesmo quando não estávamos muito bem, sua paciência e compreensão de lidar com meus ataques, a sua mão pequena na minha coxa enquanto conversávamos com outras pessoas só pra eu saber que estava ali, seus bilhetes espalhados pra eu encontrar, de ouvir o seu “fala que me ama” e ver seu sorriso emocionado depois, a pergunta “pra sempre?” depois da minha resposta, o brilho no seu olhar sempre me encantou. Sinto falta do que foi, mas de certa forma me orgulho do que é, saber que aguenta tanto e agora sozinha, me inspira e me da motivos pra ainda sorrir, só por saber que você anda bem por ai.

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1 comentários

  1. Lindo esse seu conto, bem inspirador e criativo, parabéns.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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Comentários

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