amor

Uma carta a um amor real

07:55

 
Era novembro quando eu disse que o amava. A data, não lembro. Sei que foi na noite de um sábado, enquanto jantávamos em uma lanchonete perto de casa. Eu havia pedido um milkshake de avelã e nutella. Ele me perguntou se estava bom. Então eu disse.
 
Não que tivesse alguma ligação com o que fazíamos, mas senti a necessidade de dizer. Como quem fala bom dia, falei “queria que você soubesse que eu te amo”. Ele arregalou os olhos e manteve-se em pleno silêncio. Pensei por alguns segundos se havia feito a coisa errada, mas percebi que errado seria se eu não dissesse o que sentia e continuasse empurrando com a barriga uma situação onde eu sempre esperaria mais. Não dele, mas de nós. Uma mudança no status do facebook, talvez. Mas não foi bem o que aconteceu. Na verdade passou bem longe de acontecer.
 
Uma semana se passou e decidimos que não dava pra continuar. Não por ele. Não por mim. Mas por nós. Eu já dissera inúmeras vezes a inúmeras pessoas que as amava. Mas percebi que ele foi o primeiro homem que amei de verdade. E ainda amo, com todas as minhas forças. Perguntaram-me uma vez “como é que a gente sabe que ama alguém?” Passamos quatro meses juntos. Não namorando. Juntos. Um do lado do outro. Um querendo estar com o outro. Sem rótulos, sem significado, sem expectativas.
 
Ele tinha tantos defeitos que eu poderia passar uma semana inteira listando todos eles. Mas quando parava pra pensar em suas qualidades, não conseguia listá-las. Porque não eram adjetivos sólidos, eram momentos inteiros que construíam sua personalidade. E eu não conseguia não me ver fazendo um monólogo ao tentar dizer sobre suas qualidades. Que são muitas, por sinal. Uma pena que ele lutava tanto para escondê-las.
 
Passei um bom tempo tentando entender o que, de fato, dera errado. Até que percebi que nunca demos errado. Ele foi o meu maior acerto, e espero que eu tenha sido uma boa mira pra ele, também. Dia desses lendo conversas antigas, me perguntei porque “aceitei” tantas grosserias dele. A realidade é que eu preferia passar o meu tempo me divertindo a seu lado do que me importando com coisas fúteis como discussões sem propósito.
 
Descobri o que significa amar alguém a partir do dia em que deixamos de pertencer um ao outro. E, caralho, como eu o amo. Cada cantinho de sua personalidade e de seu corpo – mesmo estando gordinho –, cada defeito e cada qualidade, cada mania e cada limitação. Porque é tudo isso que forma o conjunto de quem ele é ao todo. Mesmo que eu não fosse feliz o dia inteiro, ele me fazia feliz todos os dias. Pela primeira vez eu estava exatamente onde queria estar.
 
Eu, que sempre fui apaixonada por finais infelizes por que eram os reais, percebi que o nosso final foi o mais feliz e real que poderíamos ter tido. E não, meus amigos não te acham “um babaca” e nem acham que você “não me merecia”. Nenhum fala sobre o quão “pequeno é o seu pênis” ou o quão “horrível você é de cama”. Porque eu nunca perdi tempo inventando coisas pra eles, ou tentar fazer você virar um cafajeste que você nunca foi. Você só me proporcionou momentos bons. E não lembro-me de um dia sequer em que não fui feliz estando com você.
 
Você me proporcionou uma vida que eu não conhecia, em todos os sentidos. E foi como eu te disse: você chegou, bagunçou toda a vida que eu tinha, virou meu mundo de cabeça pra baixo e fez de mim uma pessoa completamente diferente. Mas fez de mim uma Raianny mil vezes mais feliz e segura de si.
 
Você foi uma das minhas melhores histórias. Você foi uma das pessoas mais doces, sinceras, transparentes, gentis e com um coração de ouro enorme, com quem tive o prazer de conviver. Você não me fez mudar. Você me inspirou a olhar o mundo de uma forma diferente. E, consequentemente, mudasse.
 
É uma pena que não tenhamos durado até eu morar sozinha – apesar de que se tu quiser uma cópia da chave do meu apartamento, quando eu o tiver, não hesitaria em te dar –, mas acredito que duramos tempo o suficiente para que um ficasse marcado na vida do outro. Você, para sempre, na minha.
 
Um dia não estarei mais apaixonada por você. Um dia irei me casar, ter filhos e família. Talvez um cachorro ou um gato. Ou um porquinho, nunca se sabe. Mas nunca vou deixar de te amar. Mas não infle o ego, não, enquanto escrevo esse texto, estou na cama com outro.
 
 

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