amor

Vacinados contra o amor - a sorte de ter sido infectado

13:21

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O último texto da Tayla (Geração Y - Vacinados contra o amor), me incomodou profundamente. Acredito que não só a mim. Não direi que é algo visceral ou que é algo extremamente forte, nada disso. Mas tocou. Me mostrou algo o qual eu via e não conseguia expor em palavras: essa nossa atual incapacidade de amar ou a nossa incrível capacidade de negar o amor. Não sou expert no assunto, não entendo praticamente nada de nada.


Mas sinto.

Sinto, e acredito fortemente que sentir é bem mais importante do que entender.


Na semana passada estava andando de mãos dadas com uma menina na Paulista, caminhando alegremente enquanto ela me contava sobre o fato de não estar acostumada a andar de mãos dadas ou a qualquer tipo de demonstração de afeto de "desconhecidos".
Vocês precisam entender um pouco do background disso aqui e pra isso irei te jogar um pouco pra trás no tempo:


Conheci a moça alguns meses atrás, na comemoração de aniversário de uma amiga. Ela simpatizou comigo, eu com ela, continuamos conversando pelas web e decidimos sair pra tomar umas cervejas.

Acontece que não sou do tipo de gente que sai pra conversar com pessoas do sexo oposto com a única função de praticar o ato da procriação.

Ok, vou parar com os eufemismos.

Eu não custumo sair com alguém só pra foder. Até porque sou bem chato com relação às pessoas com quem me deito, acho sexo por sexo algo chato, mas vou escrever sobre isso outro dia. Por hora, fiquem com essas informações na cabeça.


Então, o que tudo isso tem a ver com o último texto da Tayla? É simples... Pra mim não existe relação "só sexo". Não existe essa coisa de sair, beber, trepar, acordar no dia seguinte e dizer adeus. Tem que, obrigatóriamente, ter carinho de alguma maneira. Tem que ter conversa, tem que rolar um after sex legal. Não é só uma pré-preliminar legal. Entende? Não é só aquela coisa de o santo bater antes de trepar, de gerar expectativa, etc. etc. Quem você é antes de gozar não é tão interessante quanto quem você é depois que goza, quando as máscaras realmente caem, quando eu te olho e te vejo descabelada e com cara de cansada, arfando e se contorcendo pra alcançar a bolsa e pegar um cigarro ou tentando tomar fôlego pra sair da cama e pegar um copo d'água. E é ai que entram as complicações.
Estamos acostumados com as relações "só sexo". Pra muita gente já é rotina isso de sair, trepar e foda-se o dia seguinte. Às vezes surge ai uma foda amiga ou algo assim, mas raramente passa-se do superficial. Ninguém está realmente preocupado em quem você é, em como foi seu dia, se você gosta de brócolis. Você é uma xota, ou é um pau. Você goza e se não gozar foda-se porque o problema é seu e a culpa é sua mesmo, você é reprimida, você é frígida. Esse não é o mundo que eu quero pros meus filhos...
A confusão sempre se dá não pela banalização do sexo, mas sim pela supervalorização do amor romântico. Costumamos compreender que dormir de conchinha, que fazer cafuné, que trazer café na cama, são coisas que fazemos por amor e não podemos - de maneira nenhuma - amar alguém com quem só queremos sexo. É  sexo. E é ai que eu me quebro inteiro. E é ai que as pessoas dizem que eu sou cachorro, insensível, mentiroso e vagabundo. E é ai que eu fico completamente perdido. Por ser assim. Por achar que carinho e, chamemos aqui de, amor são coisas a serem dadas de graça. Por não ir pra cama querendo só sexo. Por não achar que emoção é algo completamente especial e que só pode ser "entregue" à pessoas mágicas que surgirão numa tarde de quarta-feira enquanto um pegassoneicórnio corta o céu com um arco íris brilhante de corações atrás de si. Não é assim.
Por que essa supervalorização? Por que essa loucura de só nos entregarmos, verdadeiramente, ao príncipe ou à princesa encantanda? Por que esperarmos ou torcermos para que surja aquele ou aquela que será "única"? A pessoa com quem você vai viver pro resto da vida. A monogamia é mesmo o nosso grande sonho, nosso grande modelo de relação ideal? Quanto se perde com isso?
Prefiro me entregar imensamente a cada noite, a cada pessoa, a cada par de coxas que eu beijo, a cada par de mãos que me puxam os cabelos. Da maneira mais sincera possível. Sendo eu o tempo todo, sem máscara, sem defesa.
"Mas, Lucas, e se você se apaixonar?"

Melhor ainda. É isso que eu busco. Mas falo disso outro dia.

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