amor

Amor carnal e a saudade do teu corpo

13:37

...😉
 
Acordei com saudade. Mas foi diferente. Normalmente quando acordo com saudade é meu peito que dói e aperta e apito e geme e grita e diz com aquela voz rouca e morta de quem se entregou “Saudaaaade.” com os ‘as’ tremidos e gélidos. Isso nos dias normais. Nos dias anormais é meu cérebro que, ao perceber que o peito não vai se manifestar, me enche de memórias tuas, dá um overflow maldito de imagens e sons e cheiros daquilo que passamos, me mostra os caminhos que percorremos e as palavras que foram ditas, mostra tudo, bem explícito, tanto quanto um filme pornô desses que a gente acha em qualquer redtube. Isso nos dias anormais, nos dias menos normais, incomuns.
É, mas hoje não foi nem meu peito, nem minha cabeça. Ambos estavam livres de você, completamente. Acordei sem lembrar, lavei o rosto sem pensar, não havia sombra do seu ser em mim até então. Tirei a roupa e me enfiei debaixo do chuveiro quente, o primeiro banho do dia, pra acordar e ir trabalhar, ir viver. Devia tomar banhos frios pela manhã, acho que desperta melhor, tenho teorias sobre tudo – você sabe bem disso – inclusive sobre banhos frios no começo do dia. Mas não, eu tomo banho quente mesmo, sou mimado, fui criado com essas facilidades de três ou quatro banhos quentes por dia e hoje em dia só tomo dois pela falta de tempo. A água quente me escorreu pela cabeça, me desceu o peito, me encharcou os pés e foi pro ralo.
Até então não havia sinal seu no meu radar, seria mais um dia – desses raros – nos quais você passa batida e sem aparecer. Mas era manhã e, mesmo no frio mortal que faz minha cama vazia, eu havia levantado de pau duro e ele assim permaneceu. E ali, em meio ao meu banho eu me peguei pensando em você. Mas não era o pensamento comum, meio romântico, meio fofo, meio idiota de quem ama alguém e luta infinitamente pra esquecer isso. Era outro tipo de pensamento, era outro tipo de saudade, era meu corpo pulsando e se manifestando dizendo que queria o seu. Minha saudade era, talvez pela primeira vez, completamente física.
Eu queria seu corpo ali, eu senti saudade de poder enfiar um tapa na sua cara e te ouvir pedindo outro, poder te olhar dentro do olho pelo reflexo do espelho enquanto te fodia e te ouvir pedindo pra socar com mais força, te ouvir gemendo dizendo que é minha putinha e que era assim que eu tinha que te foder. Como uma puta. E na maioria das vezes era isso mesmo que eu fazia, sem dó, sem piedade, sem amor nenhum. Éramos eu, você, algum cômodo vazio, criatividade e gritos e gemidos. Mãos presas, pés amarrados, você perdendo o fôlego e me implorando pra parar porque não aguentava mais.
Cada pedaço do meu corpo, naquele momento pedia o complemento do seu, minhas mãos queriam seus peitos, meu braço queria seu pescoço, meus dedos seus cabelos e meu pau sua garganta e seus olhos lacrimejando, a maquiagem borrada e eu ali em pé te olhando como se você fosse uma cadelinha desprezível. E era isso que você era. Ali. Naquela hora. Nada da mulher superpoderosa qual você se mostra o tempo todo, inquebrável, impenetrável, forte, decidida. Nada disso. Conheço suas duas naturezas, seus todos lados, da parte mais crua e fria à mais quente e infantil que rouba uma meia e sai gritando pelo quarto que agora é um elfo livre.

É estranho isso. Saber que você não quer mais meu amor é bem aceitável, entender que você mudou e que meu cérebro só tem memórias suas também é, mas pensar que eu não tenho o seu corpo, isso é o que mais complica minha mente. Porque é instintivo, é meu lado mais primitivo te pedindo, não é emoção, não é razão, é o monstro que vive dentro de mim querendo sair e te agarrar e te comer como se não houvesse amanhã, te pegar pelo pescoço e te tirar o ar literalmente, te fazer sofrer e te fazer gozar, me lambuzar inteiro de você, te prender e ficar horas te chupando. Você tem um gosto doce que é só seu. Você tem um gemido que é só seu, um olhar que é só seu e uma versão de mim que é só sua.
Com as outras é sexo, às vezes é amor, com você era outra coisa. Era selvageria, era estupidez, eu queria te esgotar toda vez e só saia do quarto quando tinha certeza que antes de eu voltar com meu copo d’água você já estaria dormindo, desmaiada de cansaço com aquela cara de quem foi atropelada por um caminhão. Nossa intensidade exagerada que causou o caos. Até pra se afastar a gente se afastou demais. Agora vivo com a impressão de que você foge de mim enquanto eu luto pra não correr atrás de você. Assim ficamos ambos parados, intensamente parados, em relação à vida alheia. Que assim seja, então.

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1 comentários

  1. Caraca, que texto... intenso!
    É ótimo!
    Você está de parabéns :)

    As vezes a mulher mais durona e independente é a que mais precisa ser amarrada vez ou outra.

    Beijos
    http://jurodemindinho.blogspot.com.br

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