amor

Foi amor, enquanto podia ser

11:37

 Couple
 
Nós não sabemos como nossa história termina porque ela é uma verdadeira reticência.  Vírgula no nosso romance foi um luxo, quem dirá os pontos finais. Não tivemos nossa primeira discussão de relacionamento, não teve jantar na casa de família nem você dormindo “na cama de baixo” até o dia seguinte. Não teve tédio na TV aberta de domingo, jantares românticos ou maratonas de cinema. Não tivemos noite de sexos memoráveis, dia dos namorados ou qualquer outra data comemorativa. Não teve drama. Ah meu Deus, como não teve drama? E eu fico me perguntando, tinha algo esse relacionamento? Teve sim, teve amor.
Teve amor e fim. Foi amor que durou, até quanto tinha que durar. Durou até quando nossa companhia incomodava, quando as outras garotas te desejavam e as garrafas de vodka passaram a ser constantes da minha vida. Houve amor sincero e confuso. O problema fomos nós e nossa inocência de pensar que a vida deve ser aproveitada, bocas devem ser beijadas, sexo sem compromisso deve ser feito – e quanto mais melhor. Nossa vontade de sermos livres, sem nos darmos conta de que estamos mais presos um ao outro do que nunca.
 
Minha cama nunca ficou vazia desde que você partiu. A sua, muito menos. Enchi meu coração de amores meio murchos, paixões estranhas e carência interminável. Mas eu nunca soube porquê e sempre achei que as coisas eram assim comigo mesmo. Esse é meu jeito, não vou mudar nunca. Tive crises de desespero onde minha vontade era de amarrar o outro na cama e pedir que ele nunca mais fosse embora. Seja meu, por favor! Tudo por um trauma causado no momento que te vi partindo pela porta da frente. Mas, não importa o que eu faça, eles nunca ficam.
 
Posso ter o melhor beijo no mundo, fazer um sexo oral incrível, ser inteligente o suficiente para manter um diálogo legal e bonita o bastante para ser exibida para a família. É o que todos dizem. Mas sabe o que falta? Faltou vontade de ficar, assim como você não ficou.
 
Já estou tão cansada de ter relacionamentos que não ultrapassam os meses no calendário, mas não tanto quanto minhas amigas. Elas que escutam todas as vezes, toda história, todo o drama, tudo igual. A paixão que começa a acelerar o coração, os dias juntos, a felicidade, o término, o drama, os potes de sorvete e as juras de que isso nunca mais iria acontecer. Mas claro, acontecia. Sempre. E isso, no fim do dia, sempre me fez questionar sobre nós.
 
O que nós éramos eu sei, sempre soube. Era amor, mesmo que juvenil. Era amor, mesmo que confuso. Era amor, mesmo que de um lado só de cada vez. Era amor, não tenho dúvida. Mas agora o que poderíamos ter sido, isso eu nunca descobri. Vivo com o benefício da dúvida desde que mudei seu nome na minha agenda do celular, desde que seu primeiro relacionamento começou e terminou, desde que te vi partir com juras de que nunca mais deveria voltar. E você se questiona sobre isso também, eu sei.
 
Eu queria que os beijos voltassem, porque ainda acho que o seu beijo é um dos poucos que me tira do sério. As noites na praia, observando as ondas do mar e discutindo filosofias de buteco. Eu queria as borboletas de volta no meu estômago, Meu deus, como era fantástica a sensação que eu tinha todas as vezes que ia te ver. Meu peito congelava, minhas mãos suavam e minha respiração travava. Para qualquer um isso poderia ser só mais um ataque de asma, ou coisa parecida, para pra mim sempre foi amor.
 
Foi amor, meu querido, sempre foi amor. Acho que seja  a hora de parar de se questionar sobre nós. Vou te confessar que tenho receio, a cicatriz me lembra quanto foi profundo. Mas que se foda, meu bem. Você tem meu endereço.

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