amor

Amou como se não houvesse amanha, mas houve

10:59

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Ela desistiu de desistir de tentar amar. Tomou duas doses de coragem misturadas com tequila, limão e sal. Sentiu a garganta arder e o coração acelerar. Mas foi assim, com medo mesmo, que ela decidiu que voltaria amar. Ela voltaria amar porque sentia saudades do frio da barriga, do abraço apertado e do suspiro travado do peito. Ela decidiu voltar a amar porque estava cansada da mesmice da vida solitária. Ela decidiu voltar a amar e amou, como se não houvesse amanha. Mas houve.
 
Houve o amanhã, o depois de amanhã e aquele amanhã que já tinha virado ontem. Houve o dia que ela cansou da mesmice. Cansou de todas as baladas vazias, a ressaca moral e dos inúmeros papéis toalha recheados de números de telefone. Ela cansou do ir e vir da sua cama e de não se importar se o outro se satisfazia. Ela cansou de pensar nela mesma e deicidiu voltar a amar.
 
Ela voltou a amar de uma vez, porque aos poucos o medo era maior. Mas foi assim, com medo mesmo, que ela decidiu que voltaria a esse mundo imerso de borboletas no estômago. Foram as mãos entrelaçadas, o sexo cheio de carinho, a conchinha até o dia seguinte. Foi o andar junto em público, discutir a cor do piso da cozinha e sentir o riso travado no peito. Foram as sessões de cinema, os cafés na cama e a balada acompanhada - para não cair na rotina.
 
Foi o dançar coladinho, a ansiedade pelo abraço e esquentar os pés em coxas quentes. Foi amando, enquanto podia. Foi amando, enquanto lhe cabia o amor. Foi amando, enquanto lhe era permitido amar. Foi amando, enquanto o coração aguentava. Foi amando, enquanto sabia amar.
 
Ela amou, como se não houvesse amanhã. Mas houve. Houve o amanhã carregado de sorrisos e outros tantos imersos por saudade. Houve o amanhã com desconfiança e com medo de ter que juntar os pedaços de novo. Houve o amanhã enquanto o coração estava quente, quando estava de saco cheio, quando o estresse dominava um dos dois. Houve o amanhã na cama, na cozinha, no banheiro, no carro, na rua, numa casinha de sapê.
 
Ela decidiu voltar a amar e amou. Ela decidiu voltar a amar e foi amada. Ela amou, como se não houvesse amanhã. Mas houve. E posso te contar? Nenhum amanhecer era tão bom quanto aqueles que aconteceram quando ela acordava cedo e via o amor do outro lado do travesseiro.



 

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2 comentários

  1. Muito bom esse texto, meus parabéns pela criatividade, você escreve muito bem e faz bem o uso das palavras.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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Comentários

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