29 de abr de 2015

Me perder pra te encontrar



Era só mais uma festa qualquer da faculdade. Pessoas se acotovelando em busca de mais um copo quente de cerveja e tantas outras se perdendo em corpos alheios. Só mais uma festa normal, até que ele decidiu que seria legal perder seu corpo dentro do meu, derrubar sua cerveja quente em meus sapatos e me segurar pela cintura enquanto equilibro meu copo no final da sua coluna.

Era isso que ele pensava. Com aqueles olhos lindos que fariam qualquer garota cair aos seus pés. Com seus braços musculosos, seu cabelo jogado para um lado embaixo de um boné torto. Não sou mais nenhuma princesinha mas, porra, eu mereço ao menos ser conquistada. Onde foram parar os homens de verdade que pediriam meu telefone e ligariam no dia seguinte marcando um encontro. Encontro esse que sequer nos tocaríamos, talvez a partir do segundo ou terceiro encontro eu o deixe segurar minha mão no escuro do cinema.

Ele sorriu, com aquele meio sorriso de decepção. Me segurou pela cintura enquanto eu afastava a cabeça para trás com medo de ser surpreendida por seus lábios. 

- É uma pena, você é a garota mais bonita dessa festa.
 
Bobagem, pensei. Ele deve ter dito isso para àquela ruiva que estava em seus braços minutos antes dele me encontrar. Quando ele se virou e saiu em busca de mais atributos universitários - cerveja e mulher - me peguei num pensamento rápido. Ainda existem pessoas que pensem como eu ou estaria de fato perdendo minha juventude com essa mentalidade que até mesmo minha avó desaprovaria?
  
Foi tempo o suficiente para gritar por ele, mesmo sem sequer saber o seu nome. Ele girou o corpo enquanto procurava pela voz que o chamara. Quer saber? Que se dane. Dei três passos, exatos, até ele. Joguei meu copo de cerveja quente no chão e o empurrei contra a parede. Enquanto ele beijava meu pescoço eu deixei de me perder em pensamentos e me perdi dentro de mim.

Sentia suas mãos geladas percorrendo minha cintura quente. Enquanto puxava sua nuca, beijava seu pescoço e passava as unhas pelas suas costas nem me importava com quem estivesse nos observando. Sou jovem, me deixe viver. Me deixe ser inconsequente, fazer sexo com roupa em público, beber uma dose a mais e não lembrar o nome dele no dia seguinte. Me deixe ser jovem. Me deixe fazer besteiras, sentir ressaca moral que não vai curar com um copo d'água gelado.

Deixe que minhas amigas me lembrem de tudo que fiz na noite passada. Me deixe esquecer por um momento quem eu sou, o que eu faço e todos os meus sonhos. Eu só quero me sentir viva. Um alguém  vai aparecer e provar que todos os outros eram errados. Mas até aí, como vamos saber se o príncipe chegou sem antes ter dormido com alguns sapos?



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