30 de abr de 2015

Sobre fins e recomeços

 Oh thats good | via Tumblr
Quando as mãos ainda se entrelaçavam sem pudor, quando as faces ainda se encaravam sem constrangimento, quando as certezas eram maiores que as dúvidas, e a esperança era opcional. Quando se podia escolher entre o que se queria ou não ser dito. Quando os olhos se entendiam mais do que os lábios, e a silêncio faziam-nos compreender qualquer coisa. 
Quando a mão foi solta, a as bochechas se coravam ao pedir licença. Quando a esperança era o último sentimento restado, e o que queria ser dito tinha que ser oculto. Quando os olhos não se encararam mais, e os lábios não se tocaram mais. Quando o silêncio começou a ser ensurdecedor.
Acabou.
Encantos são laços fáceis de serem desfeitos.
Quando não havia mais sinal de “bom dia” pela manhã, nem aparição na calçada às três da tarde. Quando os planos perderam o sentido, e todo o espaço que foi aberto para encaixa-lo começou a ecoar.
Recomeçar.
Quando num dia doía à beça, e noutro nem tanto. Quando é preciso descobrir que tudo que é necessário deixar para trás, de uma forma ou outra, nos abandona. Quando simplesmente não se lembrará mais de que algo ali precisa ser apagado.
Quando a vida te mostra que começar-cair-levantar-seguir-e-acabar te impulsionam para frente. E que começos acontecem todos os dias, assim como finais, e certezas são tão inúteis quanto duvidas; tudo que tiver de ser, será.


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