21 de mai de 2015

Cuidado! Playlist aleatória ativada

...

Você com certeza apagou aquela última playlist que criaram juntos. Apertou o botão de deletar todas as evidências que ele poderia te deixado no seu celular e computador como uma mísera esperança de que só assim seria possível tirá-lo de dentro de você também. Como apaga a luz da cozinha, tentou usar o interruptor do peito para ver se a escuridão o assuste e faça com que ele decida ir embora de vez. Mas ninguém, nunca, pode fugir do aleatório.

Tá tudo muito bem obrigada. Já consegui passar quatro horas inteiras sem sequer pensar nele. Sem me debulhar em lágrimas e correr para o pote de chocolate no armário de emergências da cozinha. Foram quatro longas horas, entre filas de banco e correria diária - aquela mesmo que ele costumava me acompanhar. Quatro horas até que as portas do metrô se abriram, me sentei no mesmo banco de sempre, fitei as mesmas pessoas de sempre e a playlist... Bem, eu definitivamente não estava preparada para isso.

Enquanto a música tocava eu senti meu peito congelar e derreter em seguida. Uma sensação horrível cujo qual eu ainda estou tentando me acostumar. Meus olhos, que sempre se mantinham fechados até o fim da viagem, ficaram estalados. Senti meu coração bater forte aqui dentro e aquela maldita glândula sudorífica que fica bem em baixo do meu olho esquerdo resolveu se manifestar. Mas que merda, eu estava chorando em público!

Me lembrei de cada momento, cada abraço apertado, cada noite de sexo e todas as manhãs que acordei ao seu lado. Descontrolei total! Por um minuto eu não me importei com o cara que eu vivia flertando no metrô ou com aquela tia chata que me perguntava sempre como tinha sido meu dia, só para ter sobre o que fofocar. Aquela coisa sabe "nossa menina, vi uma guria no metrô hoje: que blusa horrorosa!". E eu nem me importei em ser o assunto de todas as vizinhas do bairro dela! Eu só queria enfiar minha cabeça entre as pernas e dizer para meus joelhos que tudo ia ficar bem.

Porque vai, né? Essa não foi a primeira vez que vi alguém partir direto pela porta da frente, jogando a chave debaixo do tapete com um imenso bilhete escrito "passar bem". Não foi a primeira vez que me vi tomada por algo que não conseguia controlar, um choro que ficava preso na garganta e uma vontade imensa de ligar e perguntar como havia sido seu dia e se o seu gato havia fugido de novo. Mas aí dou por mim que, dessa vez, quem fugiu foi você.

Vai passar, como das outras vezes. Vai passar e se tornar uma lembrança boa. Eu vou aprender a tirar uma lição disso tudo. No fim do dia eu sei que a dor vai diminuir até que, em alguma manhã, ela não estará mais lá para me perturbar. E eu vou fazer disso um mantra até se torne realidade.

A música terminou, desliguei o aleatório, sequei os olhos e não me importei com a maquiagem borrada. Levantei como de costume, toquei o braço do meu flerte e disse que ele poderia me chamar para sair se quisesse. Ele sorriu. Pegou meu telefone. As portas se abriram e eu sai. 

Bem, de um jeito ou de outro eu preciso de esquecer. 

E quer saber? 

Que seja do jeito divertido.

Próximo! 

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