amor

Essa droga que é gostar de você

10:12

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E eu vi você.
Já começo assim, sem remendos, sem enrolar, os dias antecedentes a este não foram muito diferentes do comum. Em um sopro só de abstinência o corpo me impulsiona pra frente, parece que isso nunca vai passar. Parece que eu estou dando o decreto quando falo que acabou, e de repente volta, no bar da faculdade quando eu fico na pontinha do pé te procurando entre a viatura e a multidão.
E eu senti sua falta.
Quando eu precisei passar e fingir que não te conhecia, quando eu precisei engolir a seco as coisas que você deveria saber. O vicio sempre volta, o corpo implora, e eu faço qualquer coisa pra te sentir por perto. Mas você não sabe chegar perto o bastante.
E eu não desisto de você.
Quando eu busco desculpas pra passar na frente da tua casa, ou quando eu finjo não saber que sua banda toca no bar do alemão de sexta e apareço por lá coincidentemente. Quando eu dou um jeito de te fazer voltar, nem que seja pra te assistir ir, de novo, e de novo, junto com a única coisa que eu fui capaz de acreditar; o meu amor.
E eu não esqueci você.
Quando aquele cheiro foi um murro no meu estomago, quando tocou aquela musica maldita na rádio. Quando eu sentei na cama com a toalha enrolada na cabeça e fiquei com o olhar perdido no chão por um tempo. Quando pareceu um absurdo sair com aquele cara bem sucedido, inteligente, e a cara do Ashton Kutcher.
E eu não consigo me livrar.
Quando meu peito toma proporções que eu mal sabia ser capaz de ter, quando seus lábios encontram minha nuca e eu começo a minha iniciativa ridícula de pedir pra você parar, com a voz já embargando, e o corpo já entrando no ritmo.
E eu não quero me livrar.
Quando eu espero você voltar, quando eu falo daquilo que você – e só você -, me fez sentir. Quando eu repito aquele refrão ridículo, de “se não eu, quem vai fazer você feliz?”.  
Você me deu coisas que não é capaz de ter, e tirou de mim coisas que eu não era capaz de dar pra mais ninguém. Meu corpo ainda sente teu gosto, vez ou outra. E de noite, quando a casa silencia, eu escuto seus passos no taco de madeira. Eu luto contra as alucinações, mas a tua vinda é sempre tão bem-vinda, amor. Enquanto me mata, e eu alucino, ainda lembro o quanto parecia encher, mas só esvaziava. Enquanto eu tento fugir de você, buscando os seus braços, tragando tua ruína, me perdendo nos destroços, eu pergunto-me qual o valor disso tudo.
E não tem valor, amor.

Não existe valor.

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