amor

Não é saudade tua, é do amor que você me deu

14:12


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Foi teu jeito de ser, tão cheio de "e se" que me enfeitiçou. E essa mania quase-minha de ser tua que me enlouqueceu. E cada vez que você voltou e eu perdi o rumo, fiquei zonza. Foi essa tua fala sempre arrogante que fez meu sangue borbulhar, e essa tua mão sempre tão quente que fez tudo se acalmar. Foi essa droga de paixão que brincou de roleta russa comigo durante meses; hora me salvou, hora me matou, e eu continuei sempre igual.  Foi essa tua mania de fazer com eu nunca soubesse o que você queria que fez com que eu te quisesse no final. 

E eu nunca entendi, nem fazia questão, era brincar de mergulho no raso e sair realizada. Nunca entendi como podia escravizar meu peito no teu vazio e depois reclamar do vazio em mim que você não findava. Era tanta loucura, tanta emoção, eu perdia metade do dia tentando entender de onde vinha. Se não eram seus toques, nem seus sambas. Se não eram das suas sacanagens, era do que?

Nós não tínhamos pontuação, nem motivo. Não tínhamos fim, nem começo, nem vírgula, nem ponto final que segurasse. E é dessa perdição que a falta grita, é das pernas dançando zumba sem razão ao sentir seu cheiro chegando devagar, me abraçando, desarmando qualquer reação.

Você foi a vida se mostrando vida, entrando sem pedir licença pra ficar, a única coisa maior que o meu medo de errar. Você era a minha fraqueza sendo maior que minha mania de escudo, e maior que minha camuflagem de quem não se abala nem com big bang. Eu não tinha controle sobre você, e a falta de controle me fazia cinco vezes maior. Eu te amei pelo descontrole, pelo cheio que o peito tornava quando você me iludia com a vida mais completa que eu podia ter dentro do teu Peugeout prata.

É disso que eu sinto falta, você me rasgava pelo prazer de costurar, e eu te deixava brincar de boneca de pano porque me sentia parte. E agora me parte te ver passar sem um resquício. Você foi o ultimo ser humano da face da Terra que eu imaginei amar, e o único capaz de fazer com que eu amasse.

A vantagem de sentir falta, é a prova de que nada disso foi só um fetiche. Você era lindo, e agora passou. Mesmo que eu ainda não seja – e certeza de que nunca serei - capaz de entender. É disso que eu sinto falta. Da inércia. Do jeito que você inundava tudo, e ainda me fazia sentir aquela sede de “fica só mais um minutinho segurando minha coxa assim.”. 

Do amor.

 

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