amor

O Tinder e a Chapeuzinho Vermelho

11:23

 



Sempre a mais tímida do colégio, na faculdade então nem se fale. Me mantinha distante das festas, da badalação, dos caras e daquela massa de garotas que insistiam em andarem sempre juntas. Mas não é minha culpa, sempre fui assim. Me sentia deslocada, isolada e não ligava nem um pouco para isso.

As pessoas diziam que eu precisava me relacionar mais. Numa festa eu era a que ficava encostada no canto sonhando com minha conta do Netflix. Eu precisava aprender a sair, me divertir, conversar, beijar. 

Tá aí uma coisa que eu nunca soube fazer de fato: beijar só por beijar. 

Sempre acabava me entregando ao sentimento, ao outro, àquela velha história da princesa Aurora. Vivia esperando que o príncipe encantado me tirasse do sono sem fim. Bem, talvez meu conto de fadas não seja esse afinal.

Quer saber? Que se dane esse lance todo de amores partidos, beijos roubados na chuva e coração acelerado. Instalei um Tinder no meu celular.

Ele era perfeito. Não precisava dizer onde morava, qual sua música preferida ou o escritor que o inspirava. Ele não precisou dizer que eu era linda, meiga e carinhosa. Eu era gostosa para ele e ponto final. E posso contar um segredo? Ele era gostoso demais para estar disponível. Eu gamei, claro. Toda patricinha adora um vagabundo, já dizia o grande filósofo. 

Eu precisava sentir, fingir ser outra pessoa. Ser alguém que estivesse completamente fora de si. Interpretar papéis, vestir uma máscara que não tivesse absolutamente nada a ver comigo e sair de mim. E foi assim que o chamei para sair. 

Eu não sabia seu sobrenome, sua música preferida ou qualquer história da sua família. Mas sequer pensei nisso quando ele colocou as mãos dentro da minha calça, quando puxou meu cabelo fazendo um suspiro travar no peito ou minha bunda fazendo nossos corpos colarem mais.

Eu estava ali, sendo outra pessoa. Ele estava agindo como se toda aquela história fosse rotina. Depois que o peito insistiu em parar de subir e descer freneticamente, a respiração desacelerou e os olhos fecharam foi a hora.

Peguei meu salto, coloquei meu vestido de volta e saí na ponta dos pés. Vou partir agora antes que dê tempo dele partir meu coração. Deixei de acreditar em contos de fadas. Príncipe encantado e ligações no dia seguinte, nem faço mais questão disso tudo. Talvez um dia alguém me prove o contrário. 

Mas até lá deixa eu brincar de Chapeuzinho... conhecer um ou dois lobos.



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