20 de mai de 2015

Se a gente nasceu pra dar errado, como é que parece tão certo?

 
♥♥
Esse misto de eu-não-sei-o-que-sinto com eu-só-sei-que-sinto, deveria bastar, não deveria? Se é a ou b, se é 1 ou 2, se me balança ou me derruba são detalhes que a gente descobre mais tarde. Eu não sei o que é, nem sei direito como ainda vive rondando o caos por aqui, mas vem, sempre vem. Está sempre escondido atrás do abraço que a gente enrola pra acabar só pra morar um no outro um pouquinho. 
Está sempre escondido nas histórias que a gente conta só pra poder acabar falando de nós;  assim existe um nós, assim a gente vira um.
Eu ainda não sei o que é, mas sei que o passado tem um peso que nossas costas não suportam, mas a gente gosta de carregar. Eu não o que é, mas tem um gosto azedo que a gente gosta de sentir. É por isso que a gente dá tanta volta e para no mesmo lugar, é por isso que a gente sempre vive no ficar-ou-ir e nunca vai. A gente gosta de carregar as marcas que só a nossa historia fez.
Noite passada, a cada três coisas que você dizia, duas me faziam torcer o pé de agonia, eu enrolava o corpo na coberta azul e virava o celular pra baixo, se eu não estivesse sozinha, até fingiria bem a indiferença, mas não tinha pra quem fingir, era só eu ali, na linha tênue entre sair correndo de você ou pra você.
Nós já vivemos isso antes, não vivemos? Nosso sentimento volta num foguete, e lá vem tudo de novo; os textos que eu escrevi, o beijo que aconteceu, os fogos que explodiram atrás de você. A gente não volta, e nem acaba, e acredita que dessa vez o adeus vai valer de algo. Vale sim, um adeus a mais na lista de todos que nós já insistimos em dar.
A gente tenta disfarçar, mas a musica para quando a gente se olha, e você até tenta manter a distancia considerável segura, mas quando o mundo roda, a gente acaba no mesmo sofá marrom. Qual é, será que aquele pessoal em volta não sentia minha perna tremer?
Eu respondo suas perguntas mais tarde, mesmo que eu ainda não tenha resposta de nenhuma delas. Eu enrolo nossas duvidas no cobertor e finjo que nada aconteceu. Eu deleto os textos que foram escritos, e eu vou escrevendo novos no papel toalha. 
A gente até pode ter nascido pra dar errado, e dá muito errado.  
Mas é difícil não lembrar o quanto deu certo, quando deu certo.
Você não sabe o que é, e eu também não sei, mas quando você me olha e eu fico pensando como é que meu corpo perdeu o compasso, eu sei que não quero entender.


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