26 de jun de 2015

Eu me recuso a descrer no amor


Eu definitivamente me recuso. Me recuso a desacreditar na única coisa que é capaz de transformar alguns mundos. O abandonar, como quem deixa o cachorro em casa o dia todo sozinho. O caso é que seu eu abandoná-lo ele provavelmente me abandonaria de volta, diferente do primeiro. E o que seria da minha vida sem amor? Eu definitivamente me recuso a descrer no amor.

Foram tantas desilusões romântico amorosas durante todos esses anos que me arrisquei em mares de corações felpudos e borboletas livres que, se parar para contar, eu juro que não consigo - até porque sou escritora-jornalista e sigo o estereótipo. Foram tantos corações partidos, tantos cacos em volta da cama que tive que recolher sozinha depois que o outro pegara a melhor parte de mim e fora distribuir por aí. Já tentou juntar confete de carnaval? Dá um trabalho do cacete.

Mas eu juntei, todas as vezes. Colocava tudo de volta no saquinho e esperava que outra pessoa aparecesse para bagunçar minha vida de novo. Foram noites em claro, textos mal escritos e garrafas de tequila vazia que jaziam numa calçada qualquer. Foi a falta, a carência inoportuna e a saudade de um abraço. Ou vários. Foi o praticar desapego por meses até os pés cansarem de dar tanta volta.

Foi também abraço apertado, beijo na chuva e viagens inesquecíveis. Coração acelerado, respiração ofegante e dormir agarradinho. Foram as noites de cinema e jantar que sempre acabavam em motel. Foram as horas conversando sobre o nada e discutindo sobre tudo. Foram os dias da semana que insistiam em travar e atrasar nosso encontro. Foi amor, enquanto durou. Foi amor, enquanto podia ser.

Então eu me aproveitei em cada momento. Cada segundo, cada beijo e cada carinho. Vivi como se fosse durar para sempre e guardei um pouquinho de mim escondida de baixo do capacho como se fosse terminar amanhã. Estava pronta para amar assim como estava pronta para recolher os pedaços de volta.

Mas não importa quantas vezes tive que me refazer. Não importa quantas vezes disse adeus, as noites que passei em claro com os olhos marejados e a saudade apertando o peito. Se afoguei meu travesseiro algumas vezes ou se jurei em vão outras tantas que ia deixar esse tal de lado. Não importa. Só quem já amou de verdade sabe: é impossível deixar de amar.

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