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Montage of Heck: Sensacionalismo - a mira de um pedestal invisível

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Já disse inúmeras vezes aqui no blog (no Twitter, Facebook, pessoalmente, por carta, por sinal de fumaça ou pombo correio) o quanto eu sou perdidamente apaixonada por esse cara, por essa banda, por essa história. Já escrevi uns cinco posts, no mínimo, e sempre choro quando revejo alguns. Bem, quando se trata de Montage of Rock o choro é livre e necessário.

Para quem não sabe Montage of Rock é o novo documentário sobre Kurt Donald Cobain e conta sua história desde muito antes dele nascer. Nele são apresentados "novos fatos" mas o que se pode ver em todo o documentário é: o mesmo apresentado inúmeras vezes, tanto em outros vídeos como em outras matérias: o sensacionalismo mirando um pedestal invisível.

Eu não sei se já contei aqui mas sempre tive vontade de ler Mais Pesado que o Céu -  a "biografia" de Kurt Cobain escrito por Charles Cross. E eu li, e detestei. Cross, assim como muitos escritores e jornalistas já fizeram, colocam Kurt num pedestal invisível. Eles pintam algo sensacionalista para que as pessoas, para que os fãs, possam acreditar que ele era daquela forma. Que ele dizia exatamente aquelas coisas, que seus pensamentos eram exatamente aqueles e suas vontades vazias. Tudo bem, podemos até começar a crer... se vocês começarem a serem coerentes.



São inúmeras histórias contadas de formas extremamente diferentes. São pessoas dizendo o quão fodido ele era - com perdão da palavra -  e outras tantas que tiram a culpa da família e daqueles cujo qual acompanharam o seu crescimento - tanto como pessoa quanto como Nirvana - e Montage of Heck não tem absolutamente nada de diferente nisso.

O documentário vale a pena ser visto apenas por um ponto: imagens inéditas. São vídeos, fotos, cartas e imagens de shows. São imagens realmente fantásticas. Aquela coisa que faz coração de fã rodopiar de alegria sabe? Mas é só. Se você tirar o som do vídeo, as legendas e focar apenas nas imagens ele se torna um documentário fantástico. 



As pessoas entrevistadas são: os pais de Kurt, sua madrasta, seu ex companheiro de banda e sua primeira namorada, que quase ninguém conhecia. A imagem que foi pintada no começo ao fim é de que Kurt era uma pessoa perturbada pelo seu passado mas não via necessidade de se desapegar quanto a essas dores. O que se torna incoerente quando lemos alguns desabafos que mostram o oposto.

Não estou tentando dizer que Kurt Cobain era o cara perfeito, apenas que ele era humano como eu e você. Quem não quer uma coisa e, quando consegue, para e pensa "caralho, será que era isso mesmo que eu queria?". Quem as vezes não tem vontade de voltar a trás, cancelar tudo e começar de novo? 

Montage of Heck mostra exatamente o que todo mundo já sabia. A expressão de que "precisamos tirar o nosso (ou da Courtney) da reta e dizer que ele era autodestrutivo por si só. É pegar os fatos e manipular em busca de uma verdade inexistente.



Ninguém conhecia Kurt Cobain. Ninguém tinha, ou tem, o direito de julgar qualquer uma de suas atitudes. Ninguém sabe quais foram suas dores, seus amores e desejos. 

Kurt Cobain foi encontrado morto aos 27 anos com um tiro na cabeça. A mídia o matou. O excesso de exposição o matou. As pessoas que podiam salvá-lo, mas não o fizeram, o matou. Vocês mataram Kurt Cobain. Eu matei Kurt Cobain.



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