amor

Eu nunca fui de dizer não

11:01


Eu nunca fui de dizer não. E eu sempre me enfiei em relações abertas. Acho que a primeira vez foi com dezessete anos e eu mal sabia que existia todo esse universo do Poli-amor. Era mais pra um “Ok, a gente está namorando, mas por causa da distância estamos liberados para ficar com outras pessoas. Pode ser?” e ela disse que podia. Dezessete anos, hormônios a milhão. Pra mim fazia todo o sentido do mundo amar alguém e não impedir essa pessoa de satisfazer suas necessidades sexuais e até mesmo emocionais com outro alguém.

O tempo passou. Eu não sofri calado. A relação acabou por erros de comunicação. Dezessete anos, ela era um ano mais nova e não pressupôs que relações abertas devessem ter um nível absurdo de sinceridade. Mas vamos falar de outra coisa aqui porque o meu passado amoroso não é lá tão interessante, nem tão importante. Vamos falar sobre nunca dizer não.

Não se engane, se alguém se aproximar de você e tentar vender a ideia de que relações abertas são coisas simples, fuja. Relações abertas, apesar de partirem de uma premissa de simplicidade, são coisas complexas. Complexas até demais. Primeiro porque você tem de estar bem desconstruído para se livrar da ideia de que há competição na relação. Segundo porque você precisa entender que a pessoa não é, nunca foi e nunca será sua. 

Mesmo que durante aquela cena divertida, ela esteja com as mãos algemadas e gritando “Vai, fode sua putinha”. Não se engane, ela não é sua. Mesmo que depois daquele sexo amoroso e fofo ele deite no seu peito e diga que é seu. Ele não é. Cada ser humano pertence a si mesmo e só. E basta. Já é muito pra mim ter de me pertencer. E é claro que essa é a minha visão da coisa.

Nesse ponto me criei incapaz de dizer não.

“Amor! Quero dar pro time da Namíbia.”

“Hmm... ok.”


E assim a vida segue. Só que nem toda ação passa assim leve e despercebida. Existem certas coisas (e não são poucas) que acabam por machucar a gente. Lembra da desconstrução? Pois é, viver é se desconstruir. Seja o machismo, a sua burguesia inerente, o racismo ou o preconceito com quem toma lexotan

Viver é desconstruir a si mesmo em busca de se libertar dessas pressões todas que a sociedade te impõe. 

E sim, a sua heteronormatividade te foi imposta. 

Chore.

Divaguei de novo…

Afinal de contas, ela quem não abriu mão de fazer algo que te machucava. Você nunca a proibiu de fazer aquilo que te machucava. Lindo não? Até porque, é isso que se espera de uma relação, que você dê toda a liberdade do mundo para seu parceiro. Calma, tem um erro aqui. Não se dá liberdade a alguém que já nasceu naturalmente livre. 

Você simplesmente deixa de cortar as asas que você cortaria, as asas que a sociedade te diz que precisam ser cortadas para que uma relação “saudável” funcione.




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