amor

Imagine seu nome aqui, porque esse é para você

11:22

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Odeio quando você escreve sobre mim. Não diretamente. Nada que se pareça com os meus textos sobre você. Aqueles que trazem consigo o carimbo que consta seu nome, sobrenome, endereço e o tamanho da minha saudade escritos em letras miúdas. Mas eu escrevo tanto sobre você quanto você sobre mim. Nada muito teórico ou aqueles textos cafonas cheio de indiretas que resolvi acolher do lado esquerdo do peito. A carapuça não me serviu. Garanto, com toda certeza, que você escreve sobre mim. E o que é pior, você me descreve.

Não estou procurando chifre em cabeça de cavalo ou qualquer outro dito popular que caia no gosto desse texto. Eu sei e você também sabe, sua mulher ideal foi aquela que você deixou partir num desespero frenético de cair em outros corpos e se perder na sua própria solidão. Não posso dizer que passei todo esse tempo te esperando porque essa vida de romance só acontece em livros e telenovelas. Eu te esperei mas não fisicamente. Te esperei aqui dentro, como se um dia você fosse voltar e preencher todo aquele vazio que ficou depois que você decidiu partir.

Eu te amava, de verdade. Odiava seu perfume e a forma como todas as garotas que conhecíamos amava seu cheiro. Aliás, pensando bem, eu detesto ate hoje. Trás consigo um quê a mais de saudade que entra pelas minhas narinas e aquece todo o meu peito. As vezes até me esqueço de tudo que nós passamos. Toda a distância e todo o desejo que tive que reprimir. Todas as noites que passei acordada ouvindo nossa música e desenhando nosso futuro. As lágrimas que derramei sobre meu travesseiro em todas as manhãs que eu me dava conta de que você não estava lá comigo.

Éramos dois adolescentes medrosos a procura de algo que estava do nosso lado o tempo todo. Eu procurava o seu sorriso enquanto você procurava alguém para conversar. Dividia meu cigarro quando na verdade eu precisava dividir o sentimento porque pesava demais aqui dentro. Mas você tinha medo. Eu tinha medo de me entregar e de ser obrigada a me ver saindo pela porta da frente como todas as suas outras namoradas que vi passar. Você tinha medo que eu me entregasse, porque aí não existiria mais nada pelo que procurar.

Escrevo todas as noites sobre saudade e muitas delas tem um você. Cada vírgula, acento e ponto final são escritos para você. Eu te amei com todas as forças que meu peito suportava. Não vem com essa de que éramos jovens demais para saber o que queríamos. Eu sabia. Eu sempre soube, desde a primeira vez que te vi. Quando te vi, de frente para o mar, com o cabelo sendo bagunçado pelo vento e o sorriso tímido iluminado pela Lua minguante. Eu sempre soube, eu queria você.





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