contos e crônicas

Bandeira branca: eu não resisto a esse tipo

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O calculo nunca falhava e a resposta era sempre a mesma; cinco mensagens na caixa de texto que eu nem precisava abrir pra saber, “to com saudade” “vamos sair?” “e aquele cinema que você prometeu?”, eu não conseguia me lembrar o nome de alguns, mas respondia um “Vamos marcar sim, quando você pode?!” unânime. As respostas eu ignorava. E sentava ali, na mesa do bar, “esse não” “esse sim”, três goles no suco de abacaxi, um par de olhos verdes esfumaçados. Não falharia de novo.
“Eu posso sentar aqui?”, a voz foi como um trovão ecoando do peito pra fora. Girei o pescoço e lá estava, camiseta preta e boné vermelho, seu cheiro dilacerou meus cálculos em três. Depois de olhar bem, eu sabia o que ia acontecer. A gente sempre sabe quando não ta preparado pro jogo. A gente sempre sabe quando vai perder.
Nessas horas eu só consigo pensar em duas coisas, no meu melhor amigo dizendo “um cafajeste conhece o outro”, e depois naquele texto de alguém que até hoje eu não sei quem, que dizia “Homem tem medo de mulher igual a você, mulher que sabe o que quer e não levanta bandeira branca por nada. Esquece isso de que só existe homem que não presta, a gente treme na base quando encontra mulher igual a você. Mulher cafajeste.”

Eu não gostava desse termo, “cafajeste”. 

Eu sei o que eu quero e isso me basta. 

Eu sei como chegar lá, e isso me ajuda.
Não precisou de muito, o papo foi curto e incrível, ele pediu meu telefone e eu passei. Depois ele sumiu no meio das mesas de sinuca. No dia seguinte eu só conseguia pensar “que droga é essa?”, procurei # no Instagram, entrei nas ultimas publicações com a localização do bar. Eu queria achar aquele cara. Ta ai meu desespero! Comandar o jogo é minha sina, sou eu quem dá as cartas sempre. Agora eu estava lá, esperando. 
Dois dias depois ele mandou um “olá” e eu sabia onde estava me enfiando. Eu já estive ali. A verdade é que depois de um tempo jogando, você descobre que a graça só começa quando você tem a chance de perder.
E é ai então que a gente entende o risco disso tudo, eu poderia fugir e fingir que nada estava acontecendo, e de fato, não estava. Mas meu peito chegava a dobrar de tamanho quando ele sugeria pegar o carro vir aqui. Do pescoço a cintura deveriam ter umas dez tatuagens espalhadas. Era do tipo que sabia que era bom o suficiente, e por mais que eu também soubesse que era, perder o controle era meu esporte favorito. No fundo, eu ficava nessa brincadeira só pra ver até onde minha tolerância ia. 
Eu gostava.
A gente sabe o que vai acontecer, ele vai furar naquele sábado em que eu me arrumar pra vê-lo e eu nem vou ligar. Depois eu vou dar a desculpa furada de que “cansei desse jogo e que me rendo, isso é fútil demais”. 
E eu desisto. 
Existe sempre um alguém irresistível, né? 
E eu me rendo, de novo.
Eu levanto bandeira branca. 
E me rendo.



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