amor

Quando descobri que jamais amaria de novo

11:07



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Certa noite, uma dessas meio embriagadas de tédio, eu conheci o cara. Ele atravessou o bar, cumprimentou meu amigo e não tirou os olhos de mim por um instante. Era meio invasivo, confesso. Mas como toda boa escorpiana tirei o chapéuzinho do meu drink e brinquei com ele entre meus lábios. Eu conheci o cara. Eu conheci o amor da minha vida.

Ele era loiro, tinha um sorriso meio torto e uma risada contagiante. Tinha o tamanho suficiente para que encobrir uma conchinha perfeita. Me segurava pelos cabelos, me olhava nos olhos enquanto suspirava e puxava meu quadril de encontro com o seu. Ele tinha o beijo perfeito, isso não posso negar. Eu já tinha imaginado o nome dos nossos filhos, idealizei sua cachorra correndo no nosso quintal e todo aquele melodrama de vida casada. Ele chegando do escritório com a pasta grossa debaixo do braço enquanto eu fazia o jantar com um dos pequenos grudados na barra da saia.

Aí um belo dia ele simplesmente colocou a roupa e foi embora. Sem me ajudar a procurar meu soutien que jazia no lustre da sala ou sequer me dar um beijo de despedida. Ele foi da mesma forma que chegou. Ele foi e me fez perceber mas que merda foi essa que eu estava dizendo? 

Foram semanas de luto sentimental. Me via rastejando pelas paredes do meu quarto como se isso fizesse barulho o suficiente para que ele voltasse. Ah meu Deus, eu nunca mais vou amar de novo. Sem corações nos olhos, borboletas no estômago e nomes escritos juntos na areia da praia. Nunca mais ansiedade pelo final de semana, nunca mais outro beijo que me tira dos eixos, nunca mais amor. Nunca mais amar.

Ah, cala a boca. Idiota!

Claro que não conheci o amor da minha vida de novo. E quer saber? Que se dane todos esses esteriótipos que a vida nos obriga a seguir. Hoje eu sei que ele não foi meu último homem, assim como não foi o primeiro. Não foi a primeira e nem a última vez que sofri de amor, que jurei aos ventos que nunca mais ia deixar esse carinha bater na porta do meu peito e invadir tudo como ele sempre faz. O que aconteceu ficou no passado. Então deixa o amor da minha vida lá atrás, né?

Principalmente agora, depois de meses fugindo dele. Quando um cara completamente diferente do tal amor da minha vida invade meus lençóis e vamos vivendo dessa forma. Quando ele me beija e eu descubro que aquele beijo deveria ser proibido em países médios. Aquele beijo que faria Zeus descer do Olimpo e me dizer que eu havia descoberto o oitavo pecado capital - o nono sem dúvida seria seu corpo. E vamos vivendo assim. Sem rótulos, sem esteriótipos e sem gritar para o mundo todo. Porque a inveja tem sono leve, já dizia minha vó. Eu morri uma vez, mas passou. Limpei a areia da roupa e pulei no mar de novo. 

Porque a vida não espera. E o amor, será?



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2 comentários

  1. Wow, que texto incrivel!!
    As vezes temos que realmente tirar a areia do corpo, jogar toda tristeza e mágoa no chão e pular na água de novo. Quem sabe a próxima aventura não é bem mais intensa que a anterior?!

    Beijinhoos:**
    http://queridaasmemorias.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Com certeza Layla. A vida é muito curta para não se afogar em vários mares, né? :D

      beeijo <3

      Excluir

Comentários

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