amor

Quando você sumiu

10:45

photographer: Tineke De Waele

Os assovios introduziam a minha musica favorita assim como o embrulho estranho e a tremedeira eram prévia, você logo chegaria. Sempre chegou. E apesar dos dedos, e o peito, implorarem pra que esse texto seja sobre suas chegadas, insisto, é sobre o seu fim.

Sim, SEU fim.

Arrumou as coisas na prateleira, tirou a escova-de-dente do copo e foi. Sem satisfações, sem o bilhetinho no canto da mesa de madeira. Nada além de um silencio covarde.

Eu te entendo.

Quando você sumiu, eu posso afirmar, de todas as coisas que eu cogitava sobre nós o fim era a ultima delas. Eu te olhava com aqueles olhos anonimamente frustrados, por que reluziam minha pequena fé em nós.  

Quando você sumiu, eu estava ajeitando as coisas pra que você ficasse. Tirando o pó das coisas que eu já não usava com mais ninguém, com os dedos cruzados torcendo pra que o horário antecedente a sua vinda passasse mais rápido do que as horas em que você ficava. Depois que você sumiu, um misto escuro de decepção e pouca fé me convenceram de que talvez a bagunça seja um bom lar, ou o pó seja a melhor companhia pra algumas coisas mesmo.

Você entende, não entende?

Quando você sumiu, eu estava tão banhada de certezas que ceguei as coisas que não podem ser limpas junto d’alma. Depois que você sumiu a vida me sorriu tímida e estendeu seus braços de acalento, então eu enxerguei além dos holofotes.

O amor não me convence que é um mal negocio.

Quando você sumiu, eu havia separado o melhor de mim pra te dar, e apesar da minha deficiência em admitir; sua covardia chega me encorajar. E é com essa coragem que eu te enfrento.

Você entende, não entende?

Quem some sem porque, desaparece sem querer. E apesar do meu querer quando vinhas, com coragem, se quiseres me olhar de perto, digo: talvez estejas certo. Não entristeça teu coração, sua bagunça não combina mesmo com a minha vida.

E então, apesar do sumiço, posso garantir que palpável é minha admiração. Achei que teria que lidar incansavelmente com a perda, mas aprendo com o ganho. Digo obrigada! Há tanto tempo eu não me sentia assim, que sua folga não justifica o meu querer pelo aperto. Todo o espaço que eu abri pra você, logo abriga outro alguém, e apesar das nossas combinações desastrosas  – e semi-perfeitas, prefiro o amor que escolha ficar.

Enquanto acostumo o peito com a falta, enquanto convenço o riso que é melhor sem suas graças e que sua sombra não basta, te desejo boa sorte.

Foi um prazer. 


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