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Filme: Trash - A esperança vem do lixo

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A produção Brasil/EUA dirigida por ninguém mais ninguém menos que Stephen Daldry (Billy Elliot, As horas, Tão forte, tão perto) e com roteiro de Richard Curtis (Questão de tempo, Simplesmente amor) estreou o ano passado e infelizmente não fez tanto sucesso quanto deveria, pelo menos não saiu na boca do povo como outras produções. Mas não é por esse motivo que você não deva se aventurar nessa ótima produção, com lampejos de ação, amizade, aventura e críticas sociais.

Rafael e Gardo trabalham e moram em um lixão. Certo dia Rafael encontra uma carteira com alguns pertences inusitados que mudará sua vida e o fará começar uma jornada em busca de fazer a coisa certa.


Eu tinha grandes expectativas para este filme, mas acabei gostando mais do que esperava, o trailer é interessante e o elenco estelar. Temos os excelentes Selton Melo, Wagner Moura e os americanos Martin Sheen e Rooney Mara, mas não se engane com os enormes cartazes com as fotos de Selton e Wagner, se somarmos todas as cenas do eterno Capitão Nascimento não temos mais de 15 ou 20 minutos de seu personagem em cena, apesar de possuir grande relevância à história. E podemos considerar Selton como um vilão pouco presente, mais aparente naqueles momentos de tensão. Apesar de ter adorado-o no papel, porque cá entre nós o policial Frederico (Selton) é bem odiável, quem rouba a cena mesmo são os três jovens atores que interpretam Rafael (Rickson Tevez), Gardo (Eduardo Luis) e Rato (Gabriel Weinstein). Os três possuem uma química incrível e mandam muito bem no decorrer do filme, você se apega muito aos personagens, o que te faz ficar cada vez mais angustiado e ansioso ao decorrer do filme, principalmente em momentos de perseguição e perigo.


Os personagens são ótimos e adoráveis, pelo menos eu me apaixonei por todos, a inocência e simplicidade dos meninos tornam a empatia muito maior e envolvente durante o filme. E os alívios cômicos são certeiros, apenas em alguns momentos, mas convencem e divertem com uma pitada de amabilidade.


Eu particularmente adoro personagens mirins, principalmente no cinema nacional que sabe trabalhá-los muito bem como o Josué de “Central do Brasil” ou o Menino Pacu de “Abril despedaçado”, eles dão uma graça a mais ao filme e geralmente possuem ótimos momentos em cena, aqui os garotos realmente dão um show, você ri, chora e se envolve com os três profundamente.


O ritmo do filme auxiliado por uma montagem competente e envolvente é ótimo, não é lento demais nem frenético, mas é aquela coisa que você que continuar acompanhando, e não te cansa, e a transição de cenas é ótima, os acontecimentos podem ser um longe do outro, mas parecem uma coisa só, não fica aquela coisa chata ou entediante, cativa e empolga. A sequência em que os garotos criam um plano para o "resgate da bíblia" é muito bem bolado, engraçado e inteligente, sem dizer que o carisma dos personagens conta muito.

Sim, pode-se dizer que alguns acontecimentos do filme parecem inverossímeis, e por se tratar de crianças essas coisas dificilmente dariam certo na vida real, mas estamos falando de ficção, qual o problema de inventar de vez quando?


Eu vi bastante gente reclamando de alguns furos, eles existem mesmo, e faltam algumas explicações aqui e ali, mas eu gostei tanto do filme, e por retratar nossa própria cultural me cativou de forma que decidi ignorá-los para poder me divertir, e na verdade não te irrita ao ponto de querer abandonar antes do fim. E o filme tem aquele fundinho emocionante e inspirador típico do Stephen Daldry muito gostoso de acompanhar.


As críticas presentes também são muito boas, como as pessoas geralmente julgam garotos que vivem na situação dos protagonistas, mas que na realidade podem ter muito mais caráter que as pessoas “de bem” à sua volta, e as cenas no lixão nos mostram a realidade que geralmente decidimos ignorar.


A amizade dos garotos também alavanca muito a qualidade do filme, a amizade já estabelecida entre Rafael e Gardo e a construída com Rato, lembra filmes da infância com “códigos de honra”, como Os Goonies e Conta comigo. Não, o filme não chega a ter essa qualidade, mas também não é de se jogar fora.



Trash dificilmente se tornara um "clássico nacional", como Tropa de elite, Cidade de Deus ou Central do Brasil, mas vale a pena ver, tenho certeza que você vai se divertir e refletir. O que eu sei, é que já quero ver de novo.


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